domingo, 12 de outubro de 2008

Não grite alto sua felicidade,

pois a inveja tem o sono leve.





fato

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Show.

O cartaz
O desejo


Me lembro de quando ainda faltava 105 dias. Eu nem imaginava que poderia ir. E quer saber? Lá, há 100 dias, eu nem estava tão interessada em ir. Os dias foram passando, e aquilo, aquilo eu desejava a mais de três anos, eu não poderia deixar essa oportunidade passar. Comecei a criar expectativas, montar planos, me empolgar. Me lembro de quando faltava um mês. A agonia começando. A falta de noticias. A partilha da agonia com pessoas desconhecidas, mas que compartilhavam um mesmo sonho. Ligações, mensagens, e-mails, boatos e mais boatos. Enfim, a confirmação.

O pai
O dinheiro
O ingresso


Em silêncio fui construindo aos poucos a realização de um sonho antigo. De pouco em pouco. De um em um. Quantas barreiras eu tive de superar nesse caminho silencioso ninguém sabe. Quantos imprevistos.
Um dia o silêncio foi quebrado. Pessoas riram de mim. Outras me apoiaram. Um, em especial, me levou ao ápice.
Lembro-me daquela quarta-feira perfeitamente. O sorriso que eu não conseguia desfazer. Era involuntário. E sincero. E agradecido.

Uma semana antes, o susto. Um verbo - perder - nunca soou tão assustador aos meus ouvidos. A vontade de chorar. Um consolo. Um presente. Outro. O apego. A semana se arrastava vagarosamente cheia de ansiedade e nervosismo.

O dia anterior foi um dia aparentemente normal, eu não estava acreditando no que ia acontecer, a ficha não havia caído, por mais que eu tenha ficado acordada até de madrugada fazendo planos e arrumando as coisas, tudo ainda soava muito irreal para mim.

O dia
A preparação
A ida


Eu havia colocado o celular para despertar mais cedo do que de costume. Ele despertou, abri os olhos, desliguei o celular e voltei a dormir. Sonhei, ok, tive um pesadelo; algo ruim acontecia. Não me lembro o quê, mas me fez despertar. Acordei com medo, assustada. Ufa, só havia passado 10 minutos. Espera, como assim em 10 minutos eu consigo ter um pesadelo? Ah, deixa pra lá.

Levantei-me. Passando mal. Dei bom dia a todos. Perguntavam se estava tudo pronto, se estava tudo bem. Menti. Disse que sim, e sim. Passado alguns minutos, vi-me sozinha, haviam me deixado comigo mesma por algum tempo. Nesse tempo me arrumei e arrumei a bagunça que me rodeava, mas uma bagunça era impossível de arrumar: a de minha mente.

Eu chorei, chorei e chorei. Até hoje não sei bem o porquê. Talvez tenha sido de ansiedade, ou medo, ou felicidade, quiçá pela mistura de tais sentimentos, sensações e alguns mais.
Com o passar de alguns minutos estava eu acompanhada novamente. Meus pais que haviam ido ao mercado voltaram. Eles trouxeram algumas coisas para mim comer e um guarda-chuva. A comida eu recusei. Eu estava ansiosa demais para sequer pensar em comida.

A hora da partida ia se aproximando. 10hs. Com a passagem em mãos despedi-me de minha mãe, agradeci-a pela liberdade que me déra e fui para o ponto do ônibus com meu pai e minha irmã. O atraso do ônibus e o nervosismo tomando conta de mim. 10hs e 20min. O ronco do motor. Abracei meu pai, agradeci-o também, beijei a testa de minha irmã e entrei no ônibus. Poltrona 18, corredor. Sentei-me inquieta e lá começou a aventura.

Meia hora depois, na saída da cidade o ônibus pára. 15 minutos parado e a notícia: pneu furado. Ali se passou 1 hora. E eu? O que eu pensei ser impossível aconteceu: meu nervosismo, inquietude e ansiedade aumentaram. Àquela hora parada pareceu-me um ano. O alívio quando vi o ônibus retomar seu caminho foi algo surreal. Meia-hora, garuva. Mais 15 minutos de pausa por culpa de pessoas inconvenientes. A estrada, a serra, deslizes, freadas bruscas e por um momento chego a pensar que aquele seria meu último suspiro.

A calma, a confiança. Eu ia chegar até lá, eu tinha que chegar até lá.

Algumas mensagens e o nervosismo voltando. Uma vontade louca de gritar para o motorista ir mais rápido. São José dos Pinhais. A mulher ao meu lado numa situação pior do que eu, coitada, espero que ela tenha chegado a tempo. Curitiba. A análise do espaço que eu teria que percorrer em seguida. O desembarque. O banheiro masculino. O zíper da mochila arrebentando.
O assobio, meu celular, a voz reconfortante de meu irmão, conselhos. O tubo. Camp. Comprido/Centenário. Estação. Santa Cândida/Capão Raso. Terminal do Portão; Mas que porra estou fazendo aqui? Santa Cândida/Capão Raso. Os pés no próximo tubo. A tontura. E, enfim...

O estádio
A multidão
A expectativa


...O Master Hall.
A fila era de um tamanho incrível. Quanta gente, quantos sorrisos, quantos sotaques!

Eu, sozinha, fiquei andando por lá. Ia de ponta a ponta procurando não sei o quê. Achei. Lá se foram cinco reais. Fui procurar novamente. Outros cinco reais. Uma pulseira, dois nós, um pedido. Lá fui eu novamente andando. E no desespero, no impulso de uma lágrima, fiz algo errado, mas penso eu que não fez diferença.

Lá, na companhia de estranhos, passei oito horas. Oito horas em pé, mas não reclamo, eu teria permanecido mais mil horas em pé se me fosse permitido. Um susto, um cabelo, um jeitinho de andar, um engano. Telefonemas, expectativa e o corpo gelado. O arrepio, o aviso. Discussões amigáveis, outras nem tanto, as brincadeiras, a cumplicidade.

Lá, na companhia de estranhos, eu cantei, gritei, surtei e sonhei. Foram horas tensas, e intensas.

O primeiro portão se abre, e a fila anda.
Mas até ela começar a andar, foram muitas horas, dias, meses e anos mesmo de espera. Pequenas correntes humanas se formavam naquele apertado corredor. A fila começava a ir rápido. O segundo portão estava se aproximando. As mãos dadas. O plano. Os tropeços e as risadas. Um 'vai!' e a correria. As filas se separavam. Todos tremendo e a poucos metros do terceiro portão, ou porta, o terceiro e o último. Mais algumas palavras jogadas foras. Uma van, uma mão, um tchauzinho e a histeria. Aquela mão, ah, eu conhecia aquela mão!

Respirações fundas e profundas.

A porta, o segurança, a revista.

Mais correria.

A análise do espaço. Era tão perto. Pena, com o passar de alguns minutos e com o lugar enchendo a cada minuto, o ar começou a ficar escasso. Doía cada centímetro de meu corpo. Estava calor, muito calor. Mas eu estava decidida a tirar forças de onde quer que fosse dentro de mim. Fui insistente. Gabriel Simas e Dinho entraram no palco. MC - FLY. Eles então chamaram BreakOut, a banda de abertura, ao palco...

A música
A vibração
A participação


BreakOut subiu ao palco, e quando deram o primeiro acorde de uma de suas músicas, o tumulto ficou maior, uma cotovelada em meu estômago foi como uma facada, tudo começou a ficar embaçado e eu, com a força que me restava, temendo por minha lucidez saí de lá, do meio da multidão. Ao sair de lá, dou de cara com uma amiga. Nunca pensei que poderia encontrá-la lá, mas encontrei, a cumprimentei rapidamente e dirigi-me ao banheiro. Molhei meu rosto e fiquei por lá algum tempo retomando o ar. Ao escutar a única música que daquela banda, a banda de abertura, eu conhecia, voltei para a multidão. Logo a apresentação deles acabou, e eu lamento pelo fim clichê. Pois bem, assim que eles saíram do palco, o local foi tomado pela escuridão. Aproveitei a escuridão e saí a procura de um local para que eu pudesse ter uma visão do palco por inteiro. Achei.

Gritos de 'McFly' ensurdecedores tomaram o local.

E a cada pessoa, assistente de som e roadie que subia ao palco os gritos aumentavam. Os instrumentos no palco e os gritos a aumentar. As luzes se acendiam e se apagavam e os gritos... Gritavam.

Outro coro de 'McFly' e a escuridão por completa.

Um feixe de luz...

Harry Judd entra no palco. E eu, Deus, eu nunca esquecerei aquela cena. Ele no palco, aquele sorriso, aquela caretinha clássica estampada no rosto, as batidas nas baquetas. Ele tomando seu posto; o lugar mais alto do palco é dele, e mais do que merecido. Harry Judd é, sem dúvidas, alguém digno de destaque.

Em seguida, quando volto do transe, do impacto causado pela sensação de sonho virando realidade, eu me deparo com Tom Fletcher na direita do palco, Dougie Poynter na esquerda e Danny Jones no centro.

Ninguém tem noção do que eu senti ali, olhando para aqueles quatro seres. Eu não acreditava. Eu estava sem reação. Eu estava lá, sozinha, hipnotizada por eles e seu sotaque inglês. Eu, diante daqueles quatros seres, via e sentia a minha volta milhares de sonhos a se realizar.

E eu lembro exatamente de como eles sorriam e como os olhos deles brilhavam. Brilhavam de tamanha forma que meus olhos ardiam ao encontrar com o deles. O sorriso deles me fazia sorrir instantaneamente.

Are you ready?
BORN READY!

One For The Radio.

A primeira música começou e o lugar foi a loucura. Todos cantavam com força e na hora do refrão, todos, sem se importar mesmo, gritavam com a maior força... WE DON'T CARE!

Everybody Knows.

Uma tapa na cara. Surreal.

Obviously.

E o olhar de "what?' de Harry, pois a música se confundia com outra; a paródia que os fãs haviam feito para homenagea-los.

Point Of View.

A falha no teclado. Uma pausa. O entreterimento. Um solinho de 'Beat It'. E o Strip Show: o cartaz que me fez rir loucamente. O cartaz que me fez reparar, pela primeira vez ao vivo, na covinha de Tom Fletcher. Era real e ao vê-la, involuntariamente, enconstei em minha bochecha a procura de algo que me fizesse sentir mais próxima dele. Eu sorria.

Star Girl.

A caipirinha. U-u-uuuh, U-u-uuuh!

That Girl.

Uma música especial para mim, que eu esperava ansiosamente ouvir ao vivo. Ouvir McFly tocar ao vivo. Mas, lamentavelmente, BreakOut foi chamado ao palco para cantar junto. Fiquei triste, não nego, mas foi lindo apesar dos pesares.

Um coro de 'Dougie, Dougie' começa e então...

Transylvania.

O Danny com a bandeira do Brasil nas costas. A bandeira que vários fãs, na fila, assinaram.

Falling in Love.

Logo depois o 'no compreendo' e o 'baaad brazilian people' do Dougie, ditos por culpa do coro de 'Quer dançar? Quer dançar? O tigrão vai te ensinar' que tomou o Master Hall.

Please, Please.

Música exclusiva em Curitiba. Com uma parte mais do que especial; Please, Please, Please (...) Pooor Favor, Pooor Favor! Danny e seu sotaque de interior cantando em português. Foi surpreendente.

Lies.

'Lies, lies, lies' ♪

Do Ya.

A música que cortou o segundo coro de Bonde do Tigrão.

All About You.

E o smile. O SMILE.

Room on the 3rd Floor.

A história de amor entre Tom e Danny no ROT3F narrada por Dougie, um 'beijo' do casal em questão e risos.
Em seguida; a tentativa de tocar Garota de Ipanema e o Tom arriscando alguns passinhos de samba.

The Heart Never Lies.

Outra música exclusiva em Curitiba. Encenada por Dougie. Cantada, por todos ali, com o coração. E, acompanhada pelo sorriso surpreso de Tom.

- Eles saem do palco. As luzes se apagam. Um pequeno coro de 'McFly' começa. As luzes acendem novamente e eles voltam ao palco. Muitos 'obrigadous' são ditos. E um 'eu te amo, Couritiba' sai da boca de Danny.

Five Colours in Her Hair.

A primeira música fazendo o papel da última. Uma chuva de pulseiras de neon no palco. A despedida e milhares de olhares perdidos. Lágrimas de alguns, sorrisos de outros, a 'inreação' dos demais. Mas, em todos, o olhar de satisfação, de dever cumprido, de realização.

O fim
A volta
O vazio

Saí do local do show sem reação; eu não chorava, eu não sorria. Eu segui andando como um zumbi, sem nem olhar para os lados. As luzes haviam me cegado e o último 'obrigadou' dito por Danny me ensurdeceu. Em meu mundo restava eu e meus pensamentos. Em minha memória eu ia revivendo aquele dia e nela fixando cada detalhe. No caminho até a casa de meu irmão em Curitiba fui tentando acreditar no que havia acontecido. Eu ainda não acredito. O show passou sendo just me and the music. Parecia até mentira, um sonho. Eu vivi um dos melhores dias da minha vida sozinha, e, graças aquela banda! Agora, o que era antigo, faz parte do presente e o que me resta é a saudade!


'Times like these we'll never forget!'