domingo, 30 de março de 2008

Nostalgia.

Mais um dia frio, chuvoso e nublado. Mais um dia nostálgico relembrando o passado. Caio na real, percebo que as coisas mudam, as pessoas também, e, nem sempre para melhor.
Bate aquela saudades da infância, do tempo de criança. A sinceridade nos olhares, risadas e palavras, a inocência, as fantasias. Me pergunto onde tudo aquilo foi parar. As lembranças. Na foto do porta retrato e num cantinho em sua memória. Nas pequenas coisas que sobreviveram ao tempo. As coisas simples, as mais simples, são as que ficam. O choro, o colo. A caída, o abraço. O sorriso, outro sorriso.
Só que, infelizmente, as saudades melancólicas não se prendem somente a infância. Mas também ao ontem e ao que ainda nem existiu. Oh meu Deus, como o sorriso de quem já não está mais aqui faz falta. Como as palavras daquele desconhecido fazem sentido. Como a falta daqueles passos traz a confusão. Como o desconhecimento daquele abraço traz a solidão.

Eis a causa do sorriso perdido se exibindo para a solidão.
Das lágrimas que insistem em querer tocar o chão.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O avesso.

Você pensa. Está quase acreditando que as coisas vão dar certo, quando de repente as coisas são viradas do avesso. Estou começando a acreditar naquela frase. Aquela que diz 'a vida é feita para tentar ser feliz'. É. Tentar, só que tentar as vezes cansa. Eu estou cansada e sem ânimo para tentar. Desistir não, nunca fui covarde a ponto de desistir de algo. Vou dar uma descansada. Depois eu volto as minhas tentativas diárias. Tento e tento mais um vez. Com a esperança de um dia conseguir. Com a certeza de que eu chegarei lá.

O que eu sou?

Quando isso começou, eu não tinha nada a dizer e eu fiquei perdida no nada dentro de mim, eu estava confusa e eu deixo tudo sair para descobrir que eu não sou a única pessoa com essas coisas na cabeça. Mas, todo o vazio que as palavras revelaram é a única coisa real que eu ainda sinto. Nada a perder, simplesmente estagnada, vazia e solitária.
Eu quero me curar, eu quero sentir o que eu nunca achei que fosse real, eu quero me livrar da dor que eu senti durante tanto tempo, apagar toda a dor até que ela se acabe, eu quero me curar, eu quero sentir como se estivesse perto de algo real, eu quero encontrar algo que sempre quis. Alguém. Algum lugar. Aquele lugar.
Eu continuo sem o que dizer, ainda não caí na real, eu estou confusa, olho para todo lugar só para encontrar. Procurar. Mas não foi assim que imaginei. Então, o que eu sou? Por que eu não consigo justificar a forma que todo mundo está olhando para mim? Nada a perder, nada a ganhar, eu estou vazia e sozinha. E a culpa é minha.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A few minutes.

Hoje eu saí de cena. Eu senti isso. Foi algo tão forte. Vivi um século fora de mim em apenas dois minutos. Estranho, não foi um sonho. Eu estava de olhos abertos e pude me ver lá, deitada, sem vida. Vi as coisas de outro ângulo e não quero ver de novo. Não mesmo ou não tão cedo. A vida, aqui, agora, não é fácil. Mas acredite em mim, vista de lá, ela me pareceu bem mais difícil.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Na intimidade.

"J., você é a pessoa mais confusa que eu conheço!"

terça-feira, 25 de março de 2008

Ainda está lá.

É tipo um barco perdido em alto mar. Ele está lá, sozinho, sem nada e nem ninguém ao seu redor, a não ser pela visita de golfinhos e peixes que momentaneamente lhe fazem companhia. Ele continua lá, solitário. Criando mofo e musgo, as vezes a chuva vem para lavar, o sol para não o deixar apodrecer e alguns pássaros para deixar marcas, como se quisessem dizer algo, como se quisessem avisar que ele esteve por lá, em algum lugar. Ele continua lá. Mas sabe que não está sozinho, a qualquer momento ele pode esbarrar com algum outro barco, ou uma ilha. Quem sabe no barco ou na ilha até haja vida? Quem sabe alguém veja o barco solitário e queira cuidar dele. Queira tomar posse dele. Afinal de contas, o barco está lá inteiro, com um pouco de sujeira, com as marcas que o tempo solitário deixou, mas inteiro. E ele continua lá. Pode continuar para sempre, mas o sempre dele não pode e não irá durar eternamente, um dia seu fim vai chegar. Tudo tem um fim, e o dele pode estar próximo.