quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Estudo em uma Universidade com quase 10 mil alunos. Estamos no segundo horário de aula da noite. É semana de provas. São em torno de 5 mil pessoas correndo pra lá e pra cá a fim de encontrar alguém que possa lhe ensinar a matéria em uma pseudo palestra de 5 minutos. 
Ouço passos, portas abrindo e fechando, algumas batendo. Ouço o ruído de suas conversas. Ouço carteiras e cadeiras se arrastando. Mas eu não os vejo e eles não me vêem.
Estou sozinha na sala que eu creio ser a única vazia neste corredor. Algumas pessoas passam pela porta sem dar muita atenção.
Vou até o fundo da sala, pego o estilete da minha bolsa, passo sua lâmina suavemente em meu dedo indicador fazendo com que o sangue escorra lentamente e sem pensar duas vezes volto a lâmina para o meu pulso e a pressiono com o máximo de força que consigo fazendo-a deslizar.
Cuspo o cachecol que estava entre meus dentes cerrados evitando que eu emitisse algum ruído.
Eu não sinto dor. Minhas lágrimas secaram. E o sangue escorre como uma cachoeira.
Uma poça vermelha se forma no chão e me assusto ao ver o rosto ali refletido. Ele está calmo como nunca antes esteve. Eu me sinto mais leve. Ainda ouço os passos, as portas e as conversas, mas tudo parece estar mais longe. O breu toma conta da sala e eu... eu aqui, imaginando como seria.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Passam dias, semanas, passam meses e anos e cá estou eu voltando a ter contato com o mundo dos suicidas. Talvez eu não tenha motivos para isso. Mas é inevitável. Ele me ronda. Não queria falar sobre isso, mas se eu não falar... eu sei que iria além do contato.

Recentemente conheci a história de quatro pessoas que tinham a mesma vontade que eu, foram até onde eu fui, mas que, por algum motivo, assim como eu, desceram as escadas e voltaram para a terra firme. Cada um tinha seu motivo. Eu tinha o meu. Alguns eram bobos. Os meus também (admito). 
Eles moram na mesma cidade e coincidentemente escolheram a mesma data, o mesmo lugar, a mesma hora. Depois os quatro começaram a se ver constantemente. Ninguém entedia bem o porquê, mas eles se viam.
Até tiraram uma férias juntos.
Férias que não foi nada animadora. Muito pelo contrário. Eles se afastaram. E sozinhos passaram a refletir sobre suas vidas.
E a solidão... sabe como é, né?
Quando você fica sozinho por muito tempo, você passa a pensar mais (sobre você mesmo), o que muitas vezes é deprimente. Pra mim é deprimente. Pra eles também.
Não, eles não foram em frente com a ideia do começo. Eles voltaram de férias e continuaram suas (miseráveis) vidas.
Mais tarde, juntos novamente, presenciaram um suicídio. Fico imaginando o que eles sentiram no momento... Mas sei que depois, quando puderam pensar melhor no que viram, eles perceberam que não teriam coragem de... ir em frente.
Eu não sei se iria, mas não posso afirmar nada. Conheci muitas pessoas que... Já estive por perto de... Já... 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sentimentos, 


venho por meio deste informá-los que estou farta desta brincadeira de esconde-esconde.


Por favor, 


(re)apareçam!


E, 


mais do que isso,


permaneçam! 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pensar em suicídio sempre foi como um pensamento qualquer. Normal. Se não normal, demasiadamente constante. E mais, vejo o suicídio como um ato nobre. Um ato de coragem. Um ato de liberdade extrema. É belo. Eu admiro quem o fez. E quem o(s) condena me enoja. Sempre quis, quero e estou certa de que essa minha vontade de pôr fim em mim mesma com minhas próprias mãos sempre continuará ao meu lado...

Quem sabe um dia?