sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel,

Nunca escrevi carta para o senhor. Nem quando pequena. Não que não acreditasse em você. Eu sempre acreditei. Ainda acredito. Só nunca achei necessário. Até porquê você sempre me surpreendeu e, sem eu falar um ai, deu tudo o que eu queria. Ainda não é. Mas me senti na obrigação de te escrever hoje. Afinal, já se passaram quase duas décadas.
Duas décadas de surpresas e realizações. De brinquedos. De risos. De amores.
Mas, claro, nem tudo são flores. Junto a esse empilhados de doçuras de natal, veio alguns corações partidos, cacos de egoísmo, litros de lágrimas.
Não estou me desfazendo desses curiosos presentes. Também agradeço por eles. Talvez, principalmente por eles.
Sabe, eu fui uma boa pessoa esse ano. Ao menos tentei. Venho tentando a vida inteira. Mas o senhor sabe que é difícil. A vida é cheia dos obstáculos, de pegadinhas. E uma hora ou outra nos enfraquecemos e somos pegos por tais fatalidades, futilidades. Caí em várias e variadas tentações, mas o senhor sabe o quão novas experiências me apetecem. Não consigo me segurar. Me desculpe, mas, cá entre nós, viver é a maior tentação que existe e essa, ah, eu não preciso nem pensar duas vezes para me entregar. Pulo de corpo e alma mesmo. E não tenho medo de consequências. Sei que elas existem. Aliás, elas não me deixam esquecer de suas existências. Mas eu até gosto disso. Elas fazem eu me sentir mais viva. E no final, mais forte. 
Enfim, Papai Noel, eu só quero pedir, explicitamente esse ano, que o que eu construí se fortifique. Quero que mais pecinhas surjam na minha frente. Quero animo, coragem e paciência para poder montá-las. Coisas óbvias. E só.

Atenciosamente,
J. D.

P.S.: Espero que isso não mude nossa relação, mas tenho uma confissão a fazer: Não gosto de natal. E, nem venha, você sabe o porquê.