Preparando uma carreirinha ele me contava: entrou nessa vida por culpa de uma mulher. E lá estava eu, assistindo tal cena, por culpa dele. Lágrimas escorriam de seus olhos e os meus se ardiam em chamas. Ele me pedia desculpa e eu me silenciava. O que eu poderia dizer? Eu sequer sabia o que estava fazendo! Ele me abraçava e meus braços não se moviam. Eu queria uma cerveja. Nós fomos comprá-la. Ele segurou minha mão, como se a ele eu pertencesse. Deixei que a segurasse, prometendo a mim mesma que seria a última vez. Tomamos a cerveja e preparando outra carreirinha, deixando mais lágrimas escorrerem de seus olhos, se desculpava: ele não queria que eu visse seu estado. E lá estava eu, cada vez mais confusa. E ele se confessando. Se declarando... até que meu celular tocou. Era engano. Mas menti. Disse que precisava ir. Dei as costas a ele e comecei a me distanciar. Parei. Ele foi até mim. Eu não sabia o que falar, então o beijei. Ele sorriu e eu continuei meu caminho.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Coração vagabundo
Coloco a chave na fechadura da portaria, mas dou um passo para trás. Vou comprar um vinho. O vendedor, no alto de sua simpatia, me chama de anjo. Eu sorrio para ele quase que deixando rolar lágrimas de meus olhos. Me despeço. Atravesso a rua correndo. Chave na fechadura. Subo as escadas no escuro. A luz sensorial se nega a acender para a minha passagem. Entro em casa, abro o vinho e dou um gole do gargalo. Vou até minha bolsa, sento no sofá e bolo um baseado. Não acendo. Volto ao vinho. Estou atrasada. Pego minha bolsa, jogo o baseado lá dentro e saio de casa. Esqueço o isqueiro. Volto. Dou mais um gole no vinho e coloco o isqueiro no bolso. Ando calmamente até o ponto de ônibus. Ele demora. Sinto olhares estranhos voltados a mim. Tenho medo. Me desespero. Quero sair daqui. Mas para meu alívio, o ônibus chegou. Sento em um desses assentos preferenciais e fecho os olhos na esperança de que assim o percurso seja mais rápido. Foi. Desço do ônibus e corro. Eu ainda tenho um longo caminho pela frente. Atravesso o Largo da Ordem, chego em uma rua vazia, pego o baseado e o acendo. A calmaria vem quase que estantaneamente. Diminuo os passos, mesmo com o meu celular tocando incessamente tentando me apressar. Analiso meus pés e ando. Ando. E ando. Estou chegando no meu destino, estou na esquina do bar, levanto a cabeça, olho para frente e... Foi a primeira pessoa que vi. Ele parece tanto com... o outro. Minha espinha congela. Meu coração bate demasiadamente forte. Minha mão sua. Minha perna treme. Um amigo vem ao meu encontro. Converso distraída. Eu quero saber mais sobre o menino parecido com o outro. Mas... ele sumiu. Volto ao meu caminho. Chego no bar, encontro quem eu tinha que encontrar e bebi. Bebemos. Cerveja, ypioca e vodka com refrigerante. E lá, ele surge novamente. Comecei a observá-lo e não bastasse a aparência, ele age como o outro. O olhar, o jeito como segura o cigarro, o jeito de falar e, o que mais me espantou, a maneira de colocar a mão no bolso!
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