quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fechar os olhos está fora de questão.

Eu poderia contar nos dedos (de uma mão) quantos dias do ano de dois mil e oito foram memoráveis. E, acredite, sobraria dedo.
Um no começo, um no meio e outro no fim.
O primeiro foi inesperado, agitado e estranhamente especial.
O segundo foi além do que eu esperava. Uma angustia tomava conta de mim, mas, ao mesmo tempo, meu coração pulsava de felicidade. O fim não foi como eu desejava, mas aquele dia ficará guardado eternamente.
O terceiro foi exaustivo, foi solitário, foi aventureiro, foi arrepiante, foi intenso, foi ensurdecedor, foi surpreendente, foi satisfatório, foi...
Dois mil e oito está longe de ser visto como um dos melhores anos de minha vida. Mas, me obrigo a dizer, dois mil e oito foi um ano deveras importante.
Eu errei, e como errei esse ano.
Mas acertei também, sim.
Confesso que foram mais erros do que acertos, mas isso não importa a ninguém além de mim, já que os erros foram pessoais; Eu menti para mim mesma inúmeras vezes. Me deixei levar por impulsos, mesmo sabendo que alguns viriam a me prejudicar. Me deixei ser domada por sentimentos feios.

Eu sempre fui frágil, mas nunca deixei isso claro, nunca deixei tal coisa ser vista a olho nu. Minha fragilidade estava nas entrelinhas e eu me arrependo amargamente de ter a tirado de lá. Me arrependo de ter permitido que me obrigassem a tirá-la de lá.
Esse ano eu acostumei a me aliviar deixando rolar milhares de lágrimas ao chegar da escuridão da noite. Acostumei-me com olheiras fundas e profundas marcando meu rosto. Acostumei-me a ter contato direto com o chão frio.
Mas, apesar de tudo, desse ano de erros e acertos, mais erros do que acertos, o que prevalece são os aprendizados.
Eu aprendi que se entregar é bom, é preciso, mas ter consciência é fundamental.
Eu aprendi que querer é poder, mas que apenas querer não é o suficiente. Queira, lute e consiga!
Eu aprendi que as coisas mudam, sempre mudam, e aprender a conviver e conseguir se adaptar às mudanças é preciso.
Eu aprendi que o excesso não é e nunca será bom.
Eu aprendi... Muitas e variadas coisas!
E agora é tão estranho olhar para trás.
Algumas coisas que passaram parecem tão distantes da realidade de hoje. Outras parecem estar mais vivas do que nunca, mais reais do que nunca.
E o mais estranho é ao fim de tudo, olhando pra tudo o que passei, o que vivi, o que presenciei, perceber o quão forte sou.
Perceber que estou pronta para o que quer que seja nesse novo ano. E sempre.
Por isso é que hoje eu digo: Pode vim, 2009! Eu estou pronta, mas, lamento, eu não serei sua, você é quem será meu!

Tanto.

Pensar deveria ser proibido
Quanto mais tempo eu passo pensando, mais eu penso em besteiras
Besteiras de todos os tipos, de todos os tamanhos
Simples besteiras, perfeitas, extravagantes
Besteiras maliciosas, suicidas
Utópicas, alienantes
Besteiras besteirentas
Besteiras reais
Besteiras besteiras

Dois mil e oito foi um ano curioso
Foi um ano e queee ano!

Eu quase enlouqueci pensando no fim dele
E deixei ele passar por mim quase que despercebido;

Eu errei tanto
Queria poder esquecer de tais coisas que fiz
Mas eu não mudaria nada
Foi como foi pois deveria assim ser;

Eu acertei também, sim
Não quanto eu gostaria
Mas espero que tenha sido o suficiente;

38, 32
70, 60
65,16
15, 7, 8;

Conheci pessoas maravilhosas
Mas eu sei que deixei de conhecer tantas outras;

Vi monstros se revelarem
Peguei asco de certas pessoas;

E, agora, família para mim se resume em um único número;
Cinco;

Seria seis até pouco mais de um mês
Mas eu perdi alguém
Não um simples alguém
Alguém que tempos atrás eu pensava que era imortal;

Eu realizei sonhos
Sorri, cantei, gritei, pulei, dancei
E chorei
Chorei por uma vida toda
Mas nenhuma lágrima foi em vão
Elas mereceram cair;

Eu quase morri
Quase nasci;

Eu vi...
tanto
...vi!

domingo, 28 de dezembro de 2008

"- O que o Sr. aconselha aos novos escritores?
Grande poeta - Bebam, fodam e fumem, não necessariamente nesta ordem.
- E aos velhos escritores?
Grande Poeta - Se estão vivos não precisam do meu conselho."



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

The Christmas in the last four years...

It is time to count
means more than it should
Is nostalgic
means discovery
Is different
means love
Is strange
means fear

Four years.

"O céu e o mar são as únicas lembranças que eu tenho de você, é para eles que eu olho quando me lembro de ti e são eles que me fazem pensar e lembrar de teu sorriso, o sorriso que está marcado em minha memória, (...) um dos sorrisos que é capaz de mudar meu mundo e meu humor, o sorriso que confunde meus sentimentos (...)
Tantas foram às oportunidades, oportunidades desperdiçadas, as quais que me matam por dentro a cada dia de tanto arrependimento, mas de que vale o arrependimento? Ele não irá trazer as oportunidades de volta!
(...)
Você (...) prometeu que um dia seu sorriso me pertenceria nem que fosse por apenas alguns minutos, eu acreditei, ainda acredito e vou acreditar para o resto da minha vida, pois ainda te desejo e sempre sonho com você, não dá para evitar, você está em tudo em minha volta.
(...)
As músicas que ficaram marcadas em minha vida por sua causa vivem me atormentando no silêncio e em meus sonhos. O seu 'alo' daquele dia que eu fui fraca e te liguei para escutar sua voz se repete em minha cabeça freqüentemente (...)
Eu não queria te perder sem lutar como fiz, pois o arrependimento é um dos piores sentimentos que já conheci. Agora eu juro te esquecer, desafiando meus próprios sentimentos, mas insisto em querer saber...
Você voltaria para mim mesmo que nós nunca tivéssemos estados juntos?"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Far from reality. (or not)

J – Ué, onde está o dicionário?
j – Vixe, sumiu!
J – Ele não estava aqui na estante?
j – Era para estar, mas...
J – Eu sempre deixo ele aqui!

j – É, mas ele não está aqui!
J – Quem diabos deve ter pegado ele?

j – E como vou saber?
J – Se pegam, por que não colocam no lugar depois?
j – Tá, nem falo nada sobre isso, pois eu também sou assim...
J – Quer ver que fui eu mesma que coloquei em outro lugar?

j – ...mas não é por preguiça, ou coisas assim, minha memória é fraca mesmo, eu esqueço do que fiz, do que deveria fazer e até do que não fiz, facilmente...
J – Espera...

j – ...esqueço tudo e mais um pouco...
J – Cala a boca, j! Lembrei!

j – O quê? Do que falávamos mesmo?
J – O... O dicionário! Isso! Estávamos falando do dicionário!

j – Ah, sim!
J – Nossa, hahahaha.

j – J, você não acha estranho falar sozinho?
J – Hum...

j – Não é um tanto quanto insano?
J – Não! Falar sozinho é...

j – Idiota?
J – Mas, que seja...

j – ?
J – Eu estou sozinha aqui mesmo!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Over and over and over.

A quem diabos eu estava tentando enganar?
A mim mesma?
De novo?
É, eu realmente não aprendo...
Maltrato a mim mesma sem piedade
Sou cínica, egoísta, infame
Sou alvo de minhas próprias mentiras,
Mas, também, não me interessa enganar os demais
Eles não tem NADA a ver com isso!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Não que isso faça algum sentido, não que isso deveria fazer algum sentido.

E, eu descobri de uma maneira torturante que sou uma pessoa difícil. Não bastando isso, descobri que sou em demasia contraditória, anormal e patola.
Não que já não houvesse uma desconfiança de tais coisas, mas depois de alguns dias, talvez meses ou anos, cheguei a certeza.
Até vejo beleza em ser como sou, mas, confesso, ser assim é exaustante. Ser assim me transformou em uma cultivadora de olheiras; já nem me imagino sem elas, sequer lembro de meu rosto sem elas. Faz parte de mim, do meu eu.
Desse eu que vive em um mundinho imperfeito montado por mim mesma. Que peça por peça eu criei, (e)moldurei e encaixei. Mas, oh, como são belas tais peças, tortamente belas!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Foi...

Fiz o que deveria ser feito, não da melhor forma, mas foi o que estava a meu alcance.
Confesso que cheguei a me sentir confiante;
A rir, gargalhar, pular.
Mas não me permito assim ser,
Prefiro a insegurança;
Algumas lágrimas ao chegar a escuridão da noite e a ansiedade tomando conta de mim durante a luz do dia.
Eu realmente prefiro assim;
Pois se a decepção vir a existir, ela será deveras menos dolorosa;
E se a vitória se concretizar, com certeza, ela será extasiante.

Mas, apesar, eu acredito: O que tiver que ser, será meu, tá escrito nas estrelas!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

The end of an era.

'Quando lhe foi perguntado sobre sua vida colegial, ele apenas riu. Depois, se descortinou:

- Notas (não tão) baixas e grandes amigos. Muitos cadernos preenchidos com letras de músicas (, poemas incompletos) e tiração de onda com professores. A gente era o terror.' (O Turista)

domingo, 23 de novembro de 2008

A loucura continua intacta.










Sua apresentação apenas foi adiada.

sábado, 1 de novembro de 2008

'Estou para sair da casa dos meus pais e, agora que está acontecendo, começo a ver o quanto vou sentir falta deles. Desde moleque considero-os meus melhores amigos e vivo grudado neles. Imagino o quanto é ruim quem não aproveita os pais desde jovem. Penso até nas menores coisas. Sabia que quando você mora sozinha o copo de Nescau que você deixa na pia continua lá até você voltar da rua? E que além de estar lá, ele continua sujo? E se você não limpa direito a casa, fica lá, sujo e com um caminho de formiga em volta? Cruel!' (Fala, Mion! de alguns anos atrás)

Estou longe de ser alguém apegada a família, ou a qualquer coisa.
Mas lendo isso... E ao começar a pensar nas menores coisas. Percebo o quão meus pais farão falta ano que vem.

domingo, 12 de outubro de 2008

Não grite alto sua felicidade,

pois a inveja tem o sono leve.





fato

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Show.

O cartaz
O desejo


Me lembro de quando ainda faltava 105 dias. Eu nem imaginava que poderia ir. E quer saber? Lá, há 100 dias, eu nem estava tão interessada em ir. Os dias foram passando, e aquilo, aquilo eu desejava a mais de três anos, eu não poderia deixar essa oportunidade passar. Comecei a criar expectativas, montar planos, me empolgar. Me lembro de quando faltava um mês. A agonia começando. A falta de noticias. A partilha da agonia com pessoas desconhecidas, mas que compartilhavam um mesmo sonho. Ligações, mensagens, e-mails, boatos e mais boatos. Enfim, a confirmação.

O pai
O dinheiro
O ingresso


Em silêncio fui construindo aos poucos a realização de um sonho antigo. De pouco em pouco. De um em um. Quantas barreiras eu tive de superar nesse caminho silencioso ninguém sabe. Quantos imprevistos.
Um dia o silêncio foi quebrado. Pessoas riram de mim. Outras me apoiaram. Um, em especial, me levou ao ápice.
Lembro-me daquela quarta-feira perfeitamente. O sorriso que eu não conseguia desfazer. Era involuntário. E sincero. E agradecido.

Uma semana antes, o susto. Um verbo - perder - nunca soou tão assustador aos meus ouvidos. A vontade de chorar. Um consolo. Um presente. Outro. O apego. A semana se arrastava vagarosamente cheia de ansiedade e nervosismo.

O dia anterior foi um dia aparentemente normal, eu não estava acreditando no que ia acontecer, a ficha não havia caído, por mais que eu tenha ficado acordada até de madrugada fazendo planos e arrumando as coisas, tudo ainda soava muito irreal para mim.

O dia
A preparação
A ida


Eu havia colocado o celular para despertar mais cedo do que de costume. Ele despertou, abri os olhos, desliguei o celular e voltei a dormir. Sonhei, ok, tive um pesadelo; algo ruim acontecia. Não me lembro o quê, mas me fez despertar. Acordei com medo, assustada. Ufa, só havia passado 10 minutos. Espera, como assim em 10 minutos eu consigo ter um pesadelo? Ah, deixa pra lá.

Levantei-me. Passando mal. Dei bom dia a todos. Perguntavam se estava tudo pronto, se estava tudo bem. Menti. Disse que sim, e sim. Passado alguns minutos, vi-me sozinha, haviam me deixado comigo mesma por algum tempo. Nesse tempo me arrumei e arrumei a bagunça que me rodeava, mas uma bagunça era impossível de arrumar: a de minha mente.

Eu chorei, chorei e chorei. Até hoje não sei bem o porquê. Talvez tenha sido de ansiedade, ou medo, ou felicidade, quiçá pela mistura de tais sentimentos, sensações e alguns mais.
Com o passar de alguns minutos estava eu acompanhada novamente. Meus pais que haviam ido ao mercado voltaram. Eles trouxeram algumas coisas para mim comer e um guarda-chuva. A comida eu recusei. Eu estava ansiosa demais para sequer pensar em comida.

A hora da partida ia se aproximando. 10hs. Com a passagem em mãos despedi-me de minha mãe, agradeci-a pela liberdade que me déra e fui para o ponto do ônibus com meu pai e minha irmã. O atraso do ônibus e o nervosismo tomando conta de mim. 10hs e 20min. O ronco do motor. Abracei meu pai, agradeci-o também, beijei a testa de minha irmã e entrei no ônibus. Poltrona 18, corredor. Sentei-me inquieta e lá começou a aventura.

Meia hora depois, na saída da cidade o ônibus pára. 15 minutos parado e a notícia: pneu furado. Ali se passou 1 hora. E eu? O que eu pensei ser impossível aconteceu: meu nervosismo, inquietude e ansiedade aumentaram. Àquela hora parada pareceu-me um ano. O alívio quando vi o ônibus retomar seu caminho foi algo surreal. Meia-hora, garuva. Mais 15 minutos de pausa por culpa de pessoas inconvenientes. A estrada, a serra, deslizes, freadas bruscas e por um momento chego a pensar que aquele seria meu último suspiro.

A calma, a confiança. Eu ia chegar até lá, eu tinha que chegar até lá.

Algumas mensagens e o nervosismo voltando. Uma vontade louca de gritar para o motorista ir mais rápido. São José dos Pinhais. A mulher ao meu lado numa situação pior do que eu, coitada, espero que ela tenha chegado a tempo. Curitiba. A análise do espaço que eu teria que percorrer em seguida. O desembarque. O banheiro masculino. O zíper da mochila arrebentando.
O assobio, meu celular, a voz reconfortante de meu irmão, conselhos. O tubo. Camp. Comprido/Centenário. Estação. Santa Cândida/Capão Raso. Terminal do Portão; Mas que porra estou fazendo aqui? Santa Cândida/Capão Raso. Os pés no próximo tubo. A tontura. E, enfim...

O estádio
A multidão
A expectativa


...O Master Hall.
A fila era de um tamanho incrível. Quanta gente, quantos sorrisos, quantos sotaques!

Eu, sozinha, fiquei andando por lá. Ia de ponta a ponta procurando não sei o quê. Achei. Lá se foram cinco reais. Fui procurar novamente. Outros cinco reais. Uma pulseira, dois nós, um pedido. Lá fui eu novamente andando. E no desespero, no impulso de uma lágrima, fiz algo errado, mas penso eu que não fez diferença.

Lá, na companhia de estranhos, passei oito horas. Oito horas em pé, mas não reclamo, eu teria permanecido mais mil horas em pé se me fosse permitido. Um susto, um cabelo, um jeitinho de andar, um engano. Telefonemas, expectativa e o corpo gelado. O arrepio, o aviso. Discussões amigáveis, outras nem tanto, as brincadeiras, a cumplicidade.

Lá, na companhia de estranhos, eu cantei, gritei, surtei e sonhei. Foram horas tensas, e intensas.

O primeiro portão se abre, e a fila anda.
Mas até ela começar a andar, foram muitas horas, dias, meses e anos mesmo de espera. Pequenas correntes humanas se formavam naquele apertado corredor. A fila começava a ir rápido. O segundo portão estava se aproximando. As mãos dadas. O plano. Os tropeços e as risadas. Um 'vai!' e a correria. As filas se separavam. Todos tremendo e a poucos metros do terceiro portão, ou porta, o terceiro e o último. Mais algumas palavras jogadas foras. Uma van, uma mão, um tchauzinho e a histeria. Aquela mão, ah, eu conhecia aquela mão!

Respirações fundas e profundas.

A porta, o segurança, a revista.

Mais correria.

A análise do espaço. Era tão perto. Pena, com o passar de alguns minutos e com o lugar enchendo a cada minuto, o ar começou a ficar escasso. Doía cada centímetro de meu corpo. Estava calor, muito calor. Mas eu estava decidida a tirar forças de onde quer que fosse dentro de mim. Fui insistente. Gabriel Simas e Dinho entraram no palco. MC - FLY. Eles então chamaram BreakOut, a banda de abertura, ao palco...

A música
A vibração
A participação


BreakOut subiu ao palco, e quando deram o primeiro acorde de uma de suas músicas, o tumulto ficou maior, uma cotovelada em meu estômago foi como uma facada, tudo começou a ficar embaçado e eu, com a força que me restava, temendo por minha lucidez saí de lá, do meio da multidão. Ao sair de lá, dou de cara com uma amiga. Nunca pensei que poderia encontrá-la lá, mas encontrei, a cumprimentei rapidamente e dirigi-me ao banheiro. Molhei meu rosto e fiquei por lá algum tempo retomando o ar. Ao escutar a única música que daquela banda, a banda de abertura, eu conhecia, voltei para a multidão. Logo a apresentação deles acabou, e eu lamento pelo fim clichê. Pois bem, assim que eles saíram do palco, o local foi tomado pela escuridão. Aproveitei a escuridão e saí a procura de um local para que eu pudesse ter uma visão do palco por inteiro. Achei.

Gritos de 'McFly' ensurdecedores tomaram o local.

E a cada pessoa, assistente de som e roadie que subia ao palco os gritos aumentavam. Os instrumentos no palco e os gritos a aumentar. As luzes se acendiam e se apagavam e os gritos... Gritavam.

Outro coro de 'McFly' e a escuridão por completa.

Um feixe de luz...

Harry Judd entra no palco. E eu, Deus, eu nunca esquecerei aquela cena. Ele no palco, aquele sorriso, aquela caretinha clássica estampada no rosto, as batidas nas baquetas. Ele tomando seu posto; o lugar mais alto do palco é dele, e mais do que merecido. Harry Judd é, sem dúvidas, alguém digno de destaque.

Em seguida, quando volto do transe, do impacto causado pela sensação de sonho virando realidade, eu me deparo com Tom Fletcher na direita do palco, Dougie Poynter na esquerda e Danny Jones no centro.

Ninguém tem noção do que eu senti ali, olhando para aqueles quatro seres. Eu não acreditava. Eu estava sem reação. Eu estava lá, sozinha, hipnotizada por eles e seu sotaque inglês. Eu, diante daqueles quatros seres, via e sentia a minha volta milhares de sonhos a se realizar.

E eu lembro exatamente de como eles sorriam e como os olhos deles brilhavam. Brilhavam de tamanha forma que meus olhos ardiam ao encontrar com o deles. O sorriso deles me fazia sorrir instantaneamente.

Are you ready?
BORN READY!

One For The Radio.

A primeira música começou e o lugar foi a loucura. Todos cantavam com força e na hora do refrão, todos, sem se importar mesmo, gritavam com a maior força... WE DON'T CARE!

Everybody Knows.

Uma tapa na cara. Surreal.

Obviously.

E o olhar de "what?' de Harry, pois a música se confundia com outra; a paródia que os fãs haviam feito para homenagea-los.

Point Of View.

A falha no teclado. Uma pausa. O entreterimento. Um solinho de 'Beat It'. E o Strip Show: o cartaz que me fez rir loucamente. O cartaz que me fez reparar, pela primeira vez ao vivo, na covinha de Tom Fletcher. Era real e ao vê-la, involuntariamente, enconstei em minha bochecha a procura de algo que me fizesse sentir mais próxima dele. Eu sorria.

Star Girl.

A caipirinha. U-u-uuuh, U-u-uuuh!

That Girl.

Uma música especial para mim, que eu esperava ansiosamente ouvir ao vivo. Ouvir McFly tocar ao vivo. Mas, lamentavelmente, BreakOut foi chamado ao palco para cantar junto. Fiquei triste, não nego, mas foi lindo apesar dos pesares.

Um coro de 'Dougie, Dougie' começa e então...

Transylvania.

O Danny com a bandeira do Brasil nas costas. A bandeira que vários fãs, na fila, assinaram.

Falling in Love.

Logo depois o 'no compreendo' e o 'baaad brazilian people' do Dougie, ditos por culpa do coro de 'Quer dançar? Quer dançar? O tigrão vai te ensinar' que tomou o Master Hall.

Please, Please.

Música exclusiva em Curitiba. Com uma parte mais do que especial; Please, Please, Please (...) Pooor Favor, Pooor Favor! Danny e seu sotaque de interior cantando em português. Foi surpreendente.

Lies.

'Lies, lies, lies' ♪

Do Ya.

A música que cortou o segundo coro de Bonde do Tigrão.

All About You.

E o smile. O SMILE.

Room on the 3rd Floor.

A história de amor entre Tom e Danny no ROT3F narrada por Dougie, um 'beijo' do casal em questão e risos.
Em seguida; a tentativa de tocar Garota de Ipanema e o Tom arriscando alguns passinhos de samba.

The Heart Never Lies.

Outra música exclusiva em Curitiba. Encenada por Dougie. Cantada, por todos ali, com o coração. E, acompanhada pelo sorriso surpreso de Tom.

- Eles saem do palco. As luzes se apagam. Um pequeno coro de 'McFly' começa. As luzes acendem novamente e eles voltam ao palco. Muitos 'obrigadous' são ditos. E um 'eu te amo, Couritiba' sai da boca de Danny.

Five Colours in Her Hair.

A primeira música fazendo o papel da última. Uma chuva de pulseiras de neon no palco. A despedida e milhares de olhares perdidos. Lágrimas de alguns, sorrisos de outros, a 'inreação' dos demais. Mas, em todos, o olhar de satisfação, de dever cumprido, de realização.

O fim
A volta
O vazio

Saí do local do show sem reação; eu não chorava, eu não sorria. Eu segui andando como um zumbi, sem nem olhar para os lados. As luzes haviam me cegado e o último 'obrigadou' dito por Danny me ensurdeceu. Em meu mundo restava eu e meus pensamentos. Em minha memória eu ia revivendo aquele dia e nela fixando cada detalhe. No caminho até a casa de meu irmão em Curitiba fui tentando acreditar no que havia acontecido. Eu ainda não acredito. O show passou sendo just me and the music. Parecia até mentira, um sonho. Eu vivi um dos melhores dias da minha vida sozinha, e, graças aquela banda! Agora, o que era antigo, faz parte do presente e o que me resta é a saudade!


'Times like these we'll never forget!'

sábado, 27 de setembro de 2008

Os amantes...

bebem no mesmo copo: água, uísque ou veneno;
os amantes interferem na paisagem, atrapalham o filme,
retardam o transito no sinal verde, constrangem velhinhas,
impedem a passagem - porque não pode adiar um beijo;

confiam um no outro,
e desconfiam com a mesma cegueira;
os amantes são corrompidos pelo amor:
acordam tarde, comem gulosamente,
se esquecem dos outros, falam ao trabalho,
tocam-se com luxúria, relaxam na matemárica...

Ivan Ângelo

terça-feira, 16 de setembro de 2008

- Pare de gritar! - Ainda não cansou disso? - Ninguém se importa com você, com seu pedido de socorro. - Cale a boca! Sua voz é irritante. - Ah, não! Pare de bufar! O som de sua respiração me deixa com náuseas. - Poupe-me de suas lamurias. Já basta eu e agora vem você... - Fica em teu lugar, não quero tua presença, deixa-me em paz! - Seu estado é lamentável, dói só de olhar. - É, acho que farei isso... Não, não farei, já sou muito azarada, não quero mais sete anos de azar. - Quê? - Ué, ter você por perto pode ser considerado azar!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

IDN.

Estava voltando do colégio e começou a chover, vim andando calmamente me deixando encharcar e pensando no que escrever. Devo ter 'escrito' um livro inteiro em pensamento. Mas quando tento colocar meus pensamentos em palavras, em letras, em caracteres, eles parecem fugir, teimosos, insistem em me contrariar. Chego a pensar que eles são mais medrosos do que eu, se é que isso é possível. Enfim, nem sei exatamente o porquê de estar escrevendo isto aqui. Talvez seja para mostrar aos meus pensamentos o quão me irritam fugindo de mim. Quiçá para... Bah, não sei, estou confusa!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Antes da Primeira Lágrima - Alice

O que você chama de amor
Eu chamo de conveniência
O seu amor é dependência
E o meu rancor é poesia
Que não me alimenta
Mas que minha calma sustenta
Seu crime é sua sentença
E culpa minha...

Mas vou criar outra "você"
Ousadia
Depois voltar pra te perder
Todo dia
Um velho livro para reler
Que alegria... que alegria

Me diga: no fim quem errou?
O "certo" é uma rua estreita
E a sua alma imperfeita
Não é pior que a minha
Que não se endireita
Que o que não sente, inventa
Espero que você entenda
"te amo" não é "bom dia"

Ter que criar outra você
É covardia
Devolva os dias que eu te dei
De alegria
Pague com mais um dia seu
Meu

Ver você sarar
Tudo em seu lugar
Trate de esconder
O que for de lembrar
O que eu não vou te dar
E tudo o que eu não dei

sábado, 16 de agosto de 2008

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Ei, lembra?

Capítulo 27.

- Escute, conhece aqueles patos? Aqueles do Central Park?
- Hã?
- Os patos. Aqueles que ficam nadando no lago do Central Park. Conhece-os?
- Quer ir até lá?
- Não, não... Sim, talvez eu vá. Mas e no inverno, quando o lago congela, aonde eles vão?
- O que disse?
- Os patos. O que acontece com eles? Os patos. O que você sabe?
- Você deve estar brincando, não? Patos! O gelo e os patos... Pfff!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Quanto mais eu observo as pessoas, mais tenho nojo de fazer parte da mesma sociedade e raça delas.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Hipopotomonstrosesquipedaliofobia

É uma doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas.
Isso tem sentido?
Como uma pessoa que tem hipopotomonstrosesquipedaliofobia pode dizer que tem hipopotomonstrosesquipedaliofobia?
Aí alguém vem e me diz que há uma abreviação...
Ok, sesquipedaliofobia é a tal abreviação.
Mas, hein, fez alguma diferença?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quais são as opções?

"Normalmente o suicídio é equacionado como forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variadíssimos problemas. Alguém que tenta o suicídio está tão aflito que é incapaz de ver que tem outras opções: podemos ajudar se tentarmos entender como essa pessoa se sente e ajudá-la na procura de outras opções e soluções. Os deprimidos sentem-se isolados; devido à sua angústia, não conseguem pensar em alguém que os ajude a ultrapassar este isolamento. Na maioria dos casos quem tenta o suicídio escolheria outra forma de solucionar os seus problemas se não se encontrasse numa tal angústia que o incapacita de avaliar as suas opções objectivamente. Antes do suicídio o deprimido dá sinais de esperança de serem salvas, porque a sua intenção é parar a sua dor e não por termino à sua vida."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Empty.

Acho incrível a minha capacidade de sentir nada com tamanha intensidade.
Nada: é isso e somente isso que sinto.
É um vazio grandioso, que ultrapassa as barreiras de minha carcaça
E escorre pelos poros de minha pele.
Um vazio que me toma pelos lado.
Impede a passagem de ar, me sufoca.
Me segura, amarra, me impede de andar.

Você acredita em horóscopo?

"Capricórnio precisa também aprender a lidar com decisões rápidas e a evitar o auto-martírio decorrente das coisas que não conseguem. A consciência capricorniana parece ser excessivamente focada naquilo que não tem, que não conseguiu, deixando de ver todas as coisas maravilhosas que já fez e obteve na vida. Há também uma tendência a sentir-se responsável por tudo, o que termina sobrecarregando a vida. Muitos capricornianos possuem o famoso "complexo de Atlas", que é a mania de levar o mundo nas costas."
Ok,
Preciso de um mestre para me ensinar a lidar com o auto-martírio;
Preciso de um óculos para ver as coisas maravilhosas que já fiz;
Preciso de um carrinho para carregar o mundo que no momento está em minhas costas.
Agora,
Onde posso encontrar tais coisas?
Onde?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

And when you wake up...

Isso até pode soar ridículo, ou, ridiculamente engraçado, mas, tu, até pareces que é de mentira. Aliás, parecia. Vi você e o senti, sorri com seu sorriso, li você e sua interpretação de você mesmo. Isto, a leitura de ti, me fez crer em você. Apesar de suas palavras, simples palavras, me enojarem, me deixarem com náuseas, eu as vanglorio, as admiro. Elas soam tão sinceramente forjadas, exatamente, assim, como você.

domingo, 27 de julho de 2008

Pensei ter perdido um amigo.

Mas que bobagem, ein!
O máximo que perdi foram algumas horas de risos.
Mas o amigo, eu sei, ele sempre estará lá, aqui...
Disposto a compensar os momentos
E os risos que deixei de lado por culpa de meu vil orgulho!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Nunca mais beberei.

Quantas vezes já disse tal frase?
Apostas e promessas jogadas no lixo, as vi escorrer pelo ralo sem remorso. Mas, apesar de sua infidelidade e aversão a minha memória, eu não poderia fazer isso, não poderia abandonar algo que sempre esteve me acompanhando e que me ensinou tantas e infinitas coisas. Que esteve presente nos mais loucos momentos de minha vida.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Be not so sorry.

Se não me distanciar, ao menos por alguns dias, irei fingir que nada aconteceu, mas não dá, por dentro eu vou estar me remoendo de raiva, de mim e de você, e de curiosidade. Minha memória é fraca, tão afetada e embaçada. Quando me lembrar, aleluia, milagre. Não tenho coragem para perguntar a alguém o que aconteceu desta vez e talvez essa falta de coragem seja excesso de vergonha, ou não. Foi por impulso, não me contive, mas é assim, agindo impulssivamente, que vou enriquecendo minha coleção. Minha tão amada coleção... de erros. E, é seguindo meu caminho colecionando erros que consigo me manter aqui.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Memórias sagradas.

Destinado a Alisson Francisco.

Será que ainda lembras-se de mim? Nem imagina o quão foi importante em minha vida, talvez ainda o seja. Lembro quase que diariamente do jeito doce que me tratavas, suas palavras de consolo, seus desabafos. Poesia, matemática, você. Seus planos, nossos planos. Viagens que não custaram nada aos nossos bolsos, viagens feitas através do silêncio de escritos, viagens que não, não deram certo. Mas, apesar de tudo, viagens que me ensinaram a pensar, sempre, que devemos ir mais longe e seguir sempre em frente.
Agradeço a você por ter feito parte da minha vida, agradeço o tempo que perdias comigo, agradeço sua paciência. Falando nisso... Quem perdeu a paciência com quem? De uma hora à outra lhe vi longe de mim, afastado. Talvez eu tenha me afastado, talvez eu tenha lhe dado motivos para se afastar, talvez... Não sei. Sou orgulhosa, confusa, contraditória e, com quilos de arrependimento e dor empilhados em minhas costas, estou um tanto exausta. Você me fazia tão bem. Você me deixava tomada por um misto de sentimentos, algumas lágrimas, pensamentos e curiosidades. Você era um dos poucos que conseguia me deixar com um sorriso no rosto, você era um dos poucos com quem eu conseguia ser eu mesma. Eu deixei nós nos afastarmos e eu queria ter tido coragem para fazer algo, qualquer coisa, para promover nossa reaproximação, não tive, nem sabia como o fazer, por onde começar e nem onde lhe encontrar. Deixei-me virar uma completa desconhecida frente aos seus olhos. Mas saiba você que nunca saís-te de minha vida, você continua aqui, fazendo parte de mim.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Seu eu, seu rosto
Me encanta
Mas de tanto
Me enoja

domingo, 13 de julho de 2008

Eu senti falta disso.

E ponto!
Não há mais nada para acrescentar aqui.
Eu senti saudades,
Mas, eu sei que voltarei a sentí-la daqui alguns dias.
E sei também que daqui um ano
Eu voltarei aqui para, novamente, dizer que estava com saudades.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Estouro - Charles Bukowski

demais
tão pouco

tão gordo
tão magro
ou ninguém.

risos ou
lágrimas

odiosos
amantes

estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas

exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.

ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.

há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.

pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.

as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.

os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.

estamos com medo.

nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.

eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.

ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer

intocada
incomunicável

regando uma planta.

as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.

suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.

mas ás vezes eu penso sobre
isso.

as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.

demais
tão pouco

tão gordo
tão magro
ou ninguém

mais odiosos que amantes.

as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mentes não seriam tão tristes.

enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores de acaso.

tem que haver um caminho.

com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.

quem colocou este cérebro dentro de mim?

ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.

ele não dirá
“não”

domingo, 6 de julho de 2008

Avalanche de sentimentos.

A estrada e nada mais.
Pela janela, em meio a escuridão, um céu estrelado.
O ronco do motor e algumas dúzias de pessoas desconhecidas ao meu redor.
Uma mochila, algumas roupas, um caderno e uma caneta na mão.
O rádio quebrado e alguns sussurros, alguns fragmentos de conversas.
Na mente: lembranças, sensações e emoções.
Amor e ódio.
O intuito de mudar.
Um olhar cansado, sonolento.
E a certeza de que tudo valeu a pena, até aquela sensação de falta de ar.
Tudo.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Outra vez pensando?

Pensar é meu refúgio, é a melhor, se não a única, maneira de me encontrar comigo mesma. Passo a maior parte do meu tempo distraída, pensando. E não é raro as pessoas terem que me cutucar, e até gritar, para ganhar minha atenção, não que eu não goste de ouvi-las, mas pensar, para mim, é mais atraente do que qualquer outra coisa. Pensar pode ser doloroso, em boa parte do tempo é, mas a vida é assim, um tanto dolorida mesmo.

E eu gosto disso!


Mentira! Isso é uma grande mentira!


Por mais que eu diga, e afirme, que eu goste da dor, que eu me sinta bem com tudo isso, é tudo mentira!
Eu venho, sim, a anos tentando me acostumar com isso, com a dor, mas me parece algo impossível. O mundo é como um pequeno banco pendido, torto e sem encosto esquecido em meio a um milhão de montanhas de gelo. O mundo é um lugar desconfortável. Desconfortável e errado. E me sinto impossibilitada frente a ele, isso me frustra, por isso que vivo assim, perdida e pensativa. Na companhia de minha mente eu me sinto segura, o mundo nunca me afetará assim, tão fundo. Minha mente me faz esquecer o mundo, e sou eternamente grata a ela por esses momentos de paz. O mundo não faz parte de mim e eu, não, eu não faço parte do mundo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A minha versão.

A primeira vez que te vi
Ah, eu nem te vi
Alguém me dizia sobre você
Eu apenas concordei sem nem virar o rosto
Uma hora depois, no escuro, sob a luz das estrelas
Trocamos palavras e risos
Beijos, abraços e consolos.

A segunda vez que te vi
Pensei que não lembraria de mim
Corri
E me escondi.

A terceira vez que te vi
Nem lhe reconheci
Sob o efeito do álcool
E sem muito interesse
Perguntei se lembrara meu nome
Você, envergonhado, me disse que sim

Seu amigo lhe chamou
Eu, então, saí dali.

A quarta vez que te vi
Oh céus, que vergonha
Por que disseras aquilo para mim?
Por que disseras o que sentia por mim?
Um oi de longe e envergonhado
Apenas isso.

A quinta vez que te vi
Oh céus, que nojo
Não de ti, não de mim, nem dela
Nojo do quão as pessoas podem ser dissimuladas
Repulsa,
E só.

A sexta vez que te vi
Você estava de passagem
Aparentemente nervoso
Então sumiu
E eu...

A sétima vez que te vi
Seu olho estava colorido
Avermelhado como sempre
Você dizia que não,
Mas a quem estava tentando enganar?
Sua mão e a minha mão
Entrelaçadas
Isso era o suficiente para mim.

A oitava vez que te vi
Foi a primeira vez que procurava por ti
E eu que não fumo, pedi um cigarro.
Queria ter coragem para pedir mais,
Pois eu queria mais, eu desejava mais
Sou uma covarde, confesso
Você, um medroso, confesse.

A última vez que te vi
Desdenhei
Ou pelo menos tentei
De minuto em minuto olhava para ti
E você estava olhando para mim
Eu sorria sem graça
E seu rosto permanecia intacto
Esta, sua última lembrança em mim.

Às vezes eu sofro, querido.
Ou não estou forte o bastante para levantar
Mas os dias, eles simplesmente me afogam.
Voltando para o trabalho
Tomando café azedo
Enjoada desde o seu peito.

A próxima vez que te ver
Quando será?
Como será?
Onde será?
Será?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Resguardo.

Não raramente percebo as pessoas que me rodeiam afastadas de mim. Fiquei pensando então sobre o que leva as pessoas a se afastarem. Pensei em mil teorias, mas nenhuma fez muito sentido. Eis que a resposta surge em um momento de silêncio, um momento meu. A resposta, óbvia e evidente, pôs se em minha frente refletida no espelho.
As pessoas não se afastam de mim, sou eu quem me afasta delas.
Entretanto, outra pergunta surge.
Um sonoro 'por que?' vem a minha mente quase que me deixando surda.
Uma pergunta direta merece uma resposta direta.
Então serei direta: MEDO. É por medo que me afasto. Talvez seja um ato de defesa, uma maneira que achei para não me machucar, pois, abandonar dói demasiadamente menos do que ser abandonada.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Porfavor...

...umavidanovaecincopãeszinhos!

Intercâmbio de sentimentos.

Ainda lembras o que escreveras há algum tempo atrás?
Será que suas palavras foram interpretadas da maneira que esperavas?
Lembra do que sentia ao escrevê-las?
O que passava por tua mente? Estarias, ao menos, sóbrio?
Qual livro estava te esperando na cabeceira da cama?
Que música cantarolava baixinho quando se via sozinho?
Só você sabia da importância dela para ti, ou compartilhava isto com alguém?
Naquele dia, como você estava espiritualmente?
Estava em paz, ansioso. Como?
Diga-me, sacie minha curiosidade.
Prefere esquecer o que passou
Ou prefere continuar vivenciando o passado?
Relembrando.
Continua a acreditar em suas teorias malucas?
Ainda tens aquela mente alienada?
Suponho que não.
Anos se passaram, e como uma cobra, trocaste a pele, a casca.
Tornou-se um homem maduro, com idéias agora sensatas.
Sua alma, como vai?
Não sei por que, mas eu preciso saber.
Longe de mim querer me intrometer na vida alheia.
Mas sinto necessidade de trocar algumas palavras e vivências com pessoas como você. Pessoas pensantes, musicistas, densas. Pessoas como eu.

Estou aqui com o intuito de propôr-lhe um intercâmbio.
Um intercâmbio de sentimentos.
Sentimentos e palavras.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Adormecida - Castro Alves

Uma noite eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras
Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava, ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
"Virgem! tu és a flor da minha vida!..."

segunda-feira, 23 de junho de 2008

(...)

Estranheza. Confusão. Feiura. Crimes. Desastres. Culpas. Inexorabilidade.
Erros. Equívocos. Surpresas. Problemas. Desequilíbrio.
Letras. Lágrimas. Bagunça. Música.
Silêncio. Insegurança. Lembranças. Segredos.
Cinzas. Goles. Cheiros. Vomitos.
Visões. Pressentimentos. Ilusões.
Eu.
E as mais variadas sensações e gostos.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Me deixem em paz, ou apenas me levem!

Me recuso a tomar daquele remédio, não quero melhorar desta doença, eu quero mesmo é que ela se agrave.
Eu quero me ver sangrar, eu quero me ver vomitar na cara do mundo, eu quero me ver agonizar de dor tentando expulsar algumas últimas palavras, eu quero sair daqui.
Eu quero algo que não posso querer, eu quero o que não me é permitido conseguir.
Há três anos eu quero.
Eu quero partir!

Wake up.

A única coisa que eu queria, mesmo, era acordar.

É, acordar!

Isso tudo só poder ser um pesadelo.

Alguém me acorda, por favor!

Nightmare.

Então, me vejo a beira de entrar em colapso. Minha maior vontade é de fugir, chegar em uma praia deserta e gritar. Eu estou cansada das coisas ao meu redor, cansada de dar e compartilhar quando eu estou precisando receber. Cansada das pessoas fúteis ao meu redor, cansada de sorrisos falsos e mentiras estúpidas. Olho a minha volta e percebo que há algo errado, pessoas alienadas frustrando seus semelhantes.
O que está acontecendo com as pessoas?
Por que mentem?
O que pensam ganhar com tudo isso?
Isso é demais pra mim, o mundo é demais pra mim.
Essa dor é mais do que posso suportar.
E eu... Eu ainda irei me afogar nas lágrimas que meus olhos cansados insistem em jorrar.
Irei me machucar com as palavras que saem forçadas pela minha garganta doente.
Irei enlouquecer com meus sonhos, que por mais belos que sejam no começo, se transformam em terríveis pesadelos.
ME DEIXEM!
ESQUEÇAM QUE EU EXISTO!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

De erro em erro.

"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz." (Sigmund Freud)

Não, obrigada!

Algo está me incomodando. Incomodando de verdade. E está começando a doer. doer n'alma. Eu preciso de um tempo, mas eu não posso ter mais tempo do que já tive. Preciso acordar. As coisas estão mudando, as coisas estão acontecendo. Mas eu não consigo. As coisas estão indo e vindo, as coisas estão se fortalecendo. Eu preciso de ajuda, um balde de água fria talvez. As coisas, ah, as coisas! Eu preciso, eu posso, mas eu não quero, não, obrigada!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Eu, só eu.

Pensamentos, o som do ar entrando e saindo, os pés inquietos, as mãos geladas.
Não desejo nada mais que isso.
Eu me quero.
É só de mim que eu preciso.
Eu quero comunicar-me com meu eu interior.
Eu quero brigar comigo mesma.
Quero escutar calada e de cabeça baixa tudo o que a tempos estou tentando dizer.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"Espero que não tenha ficado nada pendente”.

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o de felicidade nos momentos mais sombrios" (Yoñlu)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

De sepulcro à sepulcro?

Em uma pequena cidade, fria e vazia, havia uma garota. Sua pele macia e seus cabelos sedosos só não encantavam mais que seu olho, seu olhar. Solitária, seus melhores amigos sempre foram o cinzeiro, a xícara de café e algum bom, e velho, livro. Mas um dia, começou a frequentar o bar próximo de sua casa, ia sozinha, bebia alguma coisa, dispensava a todos que vinham até ela e ia embora sozinha, mais uma vez. Numa madrugada, mais fria que de costume, alguém, finalmente lhe chamou a atenção, um moço entrava no bar com um sorriso maroto nos lábios, talvez estivesse rindo por estar encharcado, estava chovendo lá fora, chegou ao balcão e sentou-se ao lado dela. Pediu algo para os dois beberem, ela sorriu um pouco assustada e ficou brincando com o copo. Nunca imaginaria que ele, um completo desconhecido, a faria sentir-se assim, estranha e diferentemente bem. Mesmo com os 9 graus lá fora, ela sentia-se aquecida, um calor interior, um calor que vinha de seus pulmões, de sua garganta, de seu coração. Conversaram e se encantaram um pelo outro, pelos seus mundos diferentes e pelos seus defeitos. Em uma semana estavam se amando, nos muros dos vizinhos, num quarto de hotel, na cozinha da casa dela. Transformaram cenas de filmes em cenas reais. Viveram intensamente cada minuto compartilhado. Nada mais importava à eles, até o dia que ele teve de dizer adeus. Lá não era o lugar dele, por mais que ele gostaria que fosse.
Ele prometeu buscá-la, para continuarem, o filme, a vida, juntos. Prometeu manter contato, perguntou a ela se acreditava em para sempre e se foi.
Desde então ela passa o dia ao lado da caixa de correio a espera de uma carta, talvez dele, d'uma noticia. Se passaram dias, semanas, meses, anos e ela continua indo lá.
Ele, do outro lado, pensa nela e abre a gaveta onde guarda cartas que escrevera a ela, as cartas que ela tanto esperou e ainda espera...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Segunda-feira.

Por que és tão injustiçada? Todos a odeiam. Dizem que nada trás de bom, mas esquecem, ou apenas não percebem, que é ela quem trás o que há de melhor, o começo e o recomeço. Ela quem lhe sorri o novo. Ela que trás novas chances, não sei do que reclamam, não é de chances que o mundo vive? Não é de chances que os seres precisam? Miseráveis, não sabem mesmo dar o merecido valor às boas coisas. Tédio? Tudo tende ao tédio, meu bem, ninguém escapa dele. Quem acha que és para falar mal de tal nobre senhorita? Tão bela, tão mais quanto seu reflexo no espelho. Chega graciosa, de leve, cura as mais comuns e destrutíveis doenças e és tão mal recebida. Mas, por quê? Como canções, é feita para encantar, pobre coitada, tão julgada, passa rapidamente por ti, um quão envergonhada, apenas traça o seu caminho em silêncio, pode mudar todo um destino, mas ninguém lhe dá chance para mostrar o quão bela é. Vem, veio e já se foi, despercebida por alguns, odiada pela maioria, encantadora par'alma.

Até logo, espero poder vê-la em breve!

domingo, 25 de maio de 2008

Que gosto tem?

A vida é feita de escolhas, e você tem que escolher o que acha ser o certo, o certo pra você. Eu estou fazendo a minha escolha, e eu escolhi dizer CHEGA!

Chega para tudo e para todos.
Chega para o nada e para ninguém.

Faz um bom tempo que estou cansada disto tudo, mas agora cheguei a um ponto de exaustão que não dá mais...
Eu não só mais quero, eu vou. Eu vou cuspir na cara do mundo e gritar que não estou nem aí. E
u vou virar a cara e deixar fudê. Vou cravar minha unha no mundo e deixar marcas eternas. Não mais me deixarei abater por esse reles mortais seres humanos. Seus comentários, seus olhares e suas palavras não terão mais impacto sobre mim. Vou me deixar levar por impulsos, pelo agora. Vou esquecer do mundo e aproveitar meus equívocos. Vou continuar a acreditar e descobrir o gosto da vida. Eu vou continuar a colecionar erros!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Não pra mim também.

Eu estive pensando, sobre mim e o mundo, e as conclusões que cheguei não são nada conclusivas. Não tenho conhecimento do que as pessoas esperam de mim, ou se ao menos esperam algo. Mas, sei o que pensam de mim, eu posso ver em seus olhos, é um misto de admiração e nojo. Sentem-se curiosas, querem saber quem sou realmente, se é que sou real. Se surpreendem, pois eu posso estar chorando agora, mas, me dê uma brecha para enxergar o mundo e eu começarei a rir como louca. Eu posso te amar, mas, me dê dois segundos e eu te odiarei brutalmente. Eu posso estar cantando, mas, me dê uma olhada e eu me calarei, quem sabe, para sempre. Não sou do tipo previsível e quem permanece ao meu lado por mais de 5 segundos percebe isto com facilidade. Julgo meu sangue o que há de mais delicioso para o jantar, mas sou incapaz de ferir um semelhante. Não sou tímida, mas engana-se quem acha que sou, digamos, comunicável. Gosto do som do silêncio, de sentir o silêncio, de me integrar ao silêncio (...)

"Você é forte, faz o que deseja e quer, mas se assusta com o que eu faço, isso eu já posso ver. E foi com isso justamente que eu vi que eu sou mais forte que você."

terça-feira, 20 de maio de 2008

Eu só queria...

...andar por ruas desconhecidas, virar em uma esquina qualquer e sentar na mesa de um bar;
...me encantar pela folha dependurada dando seu último suspiro, reparar na mudança de cores do céu e escutar como música a voz da pessoa falante que está ao meu lado;
...observar as gotas de chuva tocando o chão e desejar, mais do que qualquer outra coisa, senti-las tocando minha pele;
...deixar as gotas de chuva escorrerem pela minha pele, passearem pelo meu casaco e humedecerem meu cabelo;
...permitir que minhas lágrimas sejam livres e cheguem ao chão, sem vergonha disto;
...rir até sentir dor nos músculos da barriga e bochecha;
...gritar até ficar rouca;
...pegar o violão, sentar na areia e cantar só para o mar ouvir;
...trocar olhares com as pessoas e sentir que há algo real nelas;
...acreditar que posso voar;
...falar o que quero sem medo do mundo;
...mentir de um jeito sincero;
...fazer parte de todos, sem ninguém saber de mim;
...desentender e deixar desentendido, para logo depois sentir o gosto do saber;
...ter sonhos ruins e não ver nada de sombrio por trás deles;
...encontrar uma luz e poder escolher o que devo fazer com ela;
...parar o tempo, mas não parar de viver;
...ser forte o suficiente pra aguentar essa dor interna;

...viver, sem sentir que há algo de errado nisto!

domingo, 18 de maio de 2008

Nothing more.

Desordenada e alienada.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sempre há tempo.

Ria, sorria, cante, chore, corra, estique-se, dance, viaje, saia, ame, beije, odeie, bata, observe, absorva, fale, leia, pense, questione, lembre, esqueça, prometa, cumpra, brinque, relaxe, trabalhe, cresça, amadureça, irrite, minta, abrace, suma, apaixone-se, ajude, espione, cale-se, embriague-se, use, abuse, use-se, caminhe, fofoque, aprenda, duvide, acorde, canse, brise, lembre, discorde, atrapalhe, escolha, coma, arrependa-se, volte, crie, admire, inspire-se, agite, faça, admita, evite, explique, libere, liberte-se, ouça, escreva, complete... Viva!

domingo, 11 de maio de 2008

Nada há de (abaterabater) bater asas.

A raiva me consumindo por dentro, importuna, chega a ser repreensível. Essa vontade louca de gritar, de chutar portas e de ver aquele lindo vaso de flores se despedaçar ao encontrar a parede. Eu quero ver sangue, quero sentir o doce gosto de tal lindo tom de vermelho. Quero banhar-me com lágrimas. Quero deitar minha cabeça num travesseiro, ou quem sabe numa escrivaninha, e senti-la mais pesada do que nunca. Quero tirar meus planos do papel. Quero ver a limpidez de minha consciência ir embora. Quero fazer jus ao que pensam de mim. Quero libertar o monstro que habita escondido atrás de uma montanha de amargura aqui, dentro de meu peito.