quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ontem, ele, bêbado, perguntou meu número, eu disse, ele prometeu que ia lembrar, eu duvidei, ele talvez não lembraria, me pediu um beijo, eu disse que não, ele insistiu que lembraria o número, repetiu-o 10 vezes no mínimo, eu duvidei de novo e disse: se você lembrar, ganhará mais do que um beijo!

Hoje, as 14h29, ele me ligou, um número desconhecido, fiquei pasma, eu realmente pensei que ele não lembraria, 'eu disse que ia lembrar', é, ele lembrou, e agora?, ele me passa o número dele, anotei na porta de meu quarto, com um batom rosa, pediu que eu desse um toque nele depois para 'ver o que vamos fazer'.

Agora, com o coração na mão, levantei, passei os números escritos em batom para um guardanapo e apaguei-os de minha porta.

2009

Há um ano atrás eu disse que estaria pronta para o quer que fosse que 2009 reservasse para mim. Dia 1º de janeiro deste ano eu estava armada e com armadura. Eu estava, já, pronta.
Surpresas, revelações, realizações.
E eu não poderia contar nem em 365 dedos quantos momentos desse ano foram memoráveis. Foram mais, bem mais.


Virei a vida de cabeça para baixo, do avesso e a revirei, (me) surpreendi a cada segundo este ano!

Estou cursando o que eu queria, e, apesar de ter algumas idéias contrárias com o curso, estou me realizando cada dia mais, consegui notas máximas, reconhecimento dos professores, um roteiro gravado. Ah, o roteiro gravado! O ápice da minha vida acadêmica este ano. Mas por outro lado, comunicação e expressão me espera novamente. E está aí, a coisa que mais me arrependo deste ano. Por que não acordei mais cedo aquele dia? Por que? Queria acreditar que foi, pois o destino assim queria. Mas não tenho certeza se acredito em destino. Bom, pelo menos não da forma como alguns acreditam. Sempre falei que meu destino é diferente, não exatamente o meu, mas, sim, o significado da palavra quando dita por mim.

"destino
s. m.
1. Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável.
...
4. Fatalidade."

Pra mim, é mais do que isso. Ou menos, dependendo do ponto de vista.
Pra mim, se pode, sim, lutar com ou contra o destino. Destino para mim é o mesmo que seu deus. Uma força maior, do além. Diferente, não superior. Nada para mim é superior.
Você roga para seu deus, eu rogo para o destino, para que ele seja favorável a mim, no meu ponto de vista. Mas não acredito no MEU destino. Acredito no nosso. Vejo o destino como um ciclo de vida. O mais simples dos ciclos... se nasce e se morre. O que é certo para todos. Não há seres imortais.
Tanto que não há, como vi várias pessoas próximas, como dizem por aí, indo para o outro lado. Mas está aí outra coisa em que sou diferente, não creio em outro lado, outras vidas. Se morre e... se morre! Não há porquê ir além, senão, por que teríamos a vida? Não faz sentido!


Conheci pessoas maravilhosas, cada uma do seu jeitinho. Me aproximei de pessoas que nunca imaginei que seria possível. Me apoiei nos ombros de desconhecidos que ao tardar se tornaram parte de mim. Molhei com lágrimas as roupas de pessoas que eu nunca tornaria a ver. Contei segredos para pessoas que expuseram-os para o resto do mundo. Guardei segredos, guardo. Expus minha vida e minhas ideias para pessoas que eram contrárias a mim. Mostrei o outro lado da moeda para pessoas que não acreditavam ou que não conseguiam exergar que as coisas poderiam ser diferentes.

Várias coisas mudaram, outras apenas se fortificaram. Outras permaneceram ali, como estavam.

Continuo sendo a garota junkie que, acima de qualquer coisa, quer ser o que se é. Aprendi que não devo viver para os outros, devo olhar mais por mim, pois se eu não olhar, ninguém mais o fará. Precisei deixar de lado a mania de querer, sempre, servir de apoio aos outros, tenho que deixá-los andar com suas próprias pernas em certas ocasiões, mesmo que estejam rastejando. Mas que apesar desta última frase, percebi a importancia de estar presente na vida de pessoas que a mim são queridas.

Eu fui amada.

Poderia dizer que minha melhor noite do ano foi quando adormeci ao som de vários "eu te amo's". Acordei com um sorriso de orelha a orelha.
Apenas lamento pela minha não reciprocidade.

Espera! Não, eu não lamento.

Eu amei também.

Amei milhares de pessoas, milhares de sorrisos, milhares de olhares.

Dois mil e nove foi intenso.

Realizei o sonho de respirar um certo ar.
Eu (me) mudei. Senti medo. Receio.
Mas segui com a cabeça a erguida. Fiz planos. Os concretizei.
Fiz tudo o que não deveria fazer e deixei de fazer algumas que precisava.
Vivi a saudade e aprendi a importância de casa.
Percebi que não posso viver longe do mar e que a noite, apesar de perigosa, é sempre mais bela.
Fugi de responsabilidades. Embora não ter adiantado. Ela sempre me seguia, me alcançava. Mas na primeira oportunidade... Ainda fujo.
Me decepcionei e me orgulhei, me orgulhei muito.
Enterrei os pés na areia sempre que tive a oportunidade. Encostei na lua.
Tive nojo de flores e encostei no intocável.

Tornei-me. Fra(n)camente. Mais forte!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Porcos fardados!

Museu Oscar Niemayer, 17 horas de um domingo.
Tinha chovido mais cedo, pensei que o MON estaria vazio, mas não estava.
Os bancos estavam todos ocupados então nos sentamos no pé daquela árvore... Aquela lá, a última.
Estávamos conversando quando...

"Ih, alá os porco!"
"Será que vão enquadra a galera?"

Mas nisso, a galera foi se levantando e saindo de seus lugares.
Dando espaço pra "autoridade" passar.
Medrosos.

E lá ia, a policia passando, de queixo levantado, fingindo atenção.

Eu observando.
Eles andando em direção da árvore. A última. Na nossa.

Havia sobrado um casal (de amigos) por ali também.
(Era para ser) Um flagrante de prato cheio. A garota pitava um. Passou para o garoto que deu uma bola. Ela olhou para o lado e lá viu os porcos se aproximando.
Eu, que observava a cena, achei engraçado.
Ela deu um tapa na mão do garoto e falou: A policia, meu!
O garoto passou o braço em seu pescoço e saíram de lá, como um casal (de namorados) feliz.

Continuamos ali, não havia o que temer.

"Se não chegaram em ninguém ainda, nem vão chegar." falou meu amigo.

Opa, ele se enganou.

Os porcos vieram na nossa direção e...
"Tudo bem por aqui?" perguntaram.
"Sim, tudo bem."
"Tudo bem mesmo?"
Aí nisso meu amigo resolveu ir além e falar "Sim, por quê? Algum problema?"
"Isso é o que EU que-quero saber!" disse um policial gaguejando.
"Não, aqui não tem problema nenhum." eu disse.

Eles então deram três passos, mas se voltaram para nós e disseram "Vocês, cuidado, estamos de olho!" e saíram.

Juro, eu não aguentei... Comecei a rir!

Meu amigo chamou aquilo de arrogância.
Eu chamo de medo.

Porcos tem medo de quem não tem deles.
E quem tem medo, trata os outros assim.

Ponto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O interesse começou cedo. De uma forma natural. Ouvia falar sobre, mas não conhecia ninguém que fazia parte do meio. Foi mais a fundo no assunto com 13 para 14 anos. Descobriu que não era maléfico. Ao menos não tanto do que é aceito pela sociedade. O interesse só crescia, mas, antes, queria amadurecer suas idéias.
Capricórnio, sinônimo de cautela.
Mas de nada adiantou. A primeira experiência não foi planejada. Ela simplesmente aconteceu. E foi assim. Na companhia do álcool. Vodka e suco, vodka e gelatina. Era uma sensação de 'que se foda!'. E que se foda mesmo. Um dia inesquecível. Dia recheado de sorrisos, risadas e gargalhadas. E da pseudo-inocência ao acender (escondido) um narguile.
A segunda vez foi por vontade própria. Caiu no chão várias vezes. Apagou. Sem saber o porquê. Nervosismo? Emoção? Vergonha? Ou simplesmente estava tão além que sequer podia firmar o pulso?
As experiências posteriores foram se tornando cada vez mais naturais...
Mais ricas.
A cada experiência, uma sensação nova. E é engraçado como tudo depende do psicológico do momento. As vezes se fala demais, as vezes se fica triste, as vezes criativa, inquieta, as vezes... as vezes se fica viajando em pensamentos, as vezes sequer pensa. E essa é a viagem mais sublime... O silêncio da minha mente. A paz.
E, claro! Como não falar da companhia de certos espasmos musculares? A perna que de cinco em cinco minutos se retrai...
Ah, como isso se tornou estranhamente natural!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eu nunca fui muito menininha, 
nunca gostei de contos de fadas, 
nunca sonhei com príncipes encantados. 
Minha cor preferida nunca foi o rosa.
Nunca esperei viver um amor de filme. 
Não gostava de vestidos, 
nem de sandálias. 
Gostava dos pés no chão.
Nunca fui inocente. 
Cresci com os olhos arregalados enxergando a realidade.
Nunca fiz muitas perguntas, 
tudo sempre pareceu óbvio demais para mim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Em todo lugar que eu estou, ou vou, algo me lembra você...
Cá estou eu, na rodoviária, esperando o ônibus para ir para minha (outra) casa quando o ônibus que levaria você para sua (outra) casa pára em minha frente...
Mas não me sinto incomodada com esta situação, ao contrário, fico até feliz. Gosto de pensar que tudo isso são sinais... Sinais de que você será meu outra vez e, quiçá, por tempos seguidos.

Jesuítas pela expresso Nordeste, carro 4495, portão J, plataforma 35.

Não tenho certeza das palavras que proferi a vocês aquele dia enquanto estava em seus braços... Confesso que me pergunto sobre o assunto todos os dias e, confesso, também, que se chego a conclusão que sim, que gosto de você, me vem sua imagem me perguntando o porquê...
Lembro que naquele dia eu respondi que não sabia, hoje... Continuo não sabendo.
E nem faço questão de saber...
Assim como não fazia questão de tê-lo pra mim...
Sim, eu queria, e tive...
Mas eu não fazia questão.
Assim como não faço questão de tê-lo agora...
Sim, eu quero, e vou tê-lo de novo...
Mas não, eu não faço questão.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Achei meu walkman hoje e estou pensando seriamente em gravar umas fitas e voltar a usá-lo (Ele ainda funciona!). É Amarelo e cinza. Ah, tão lindo! Lembro-me ainda de quando o ganhei. Foi mágico. Andava com ele na mão pra cima e pra baixo.
E ia na mão mesmo, não tinha outro lugar para levá-lo. Pendurar na calça? Aaah, não! Brega! E mesmo que eu tentasse, não daria certo, minha calça cairia! Bolsa? Talvez, mas aí eu teria que tirar de lá para passar alguma música, para virar a fita. E eu era criança, não possuía tanta paciência assim.
As fitas! Sempre fui apaixonada por fitas, ainda sou, tenho várias! Vivia horas olhando para elas, gravando músicas, ou enfiando a caneta bic naqueles buraquinhos para 'rebobina-las'.
Mas a fase do walkman passou, e veio o discman. Nunca tive um. Nem queria. Achava estranho, feio. CDs nunca me atraíram muito. Redondos, coloridos, brilhantes. Bizarros, assustadores e ponto!
Então o mp3 surgiu, a ideia não me agradava muito. Fui avessa à tal aparelhinho por tempos, até um dia resolver usar aquele que ganhei no natal de não sei que ano e que ainda na caixa ficara guardado no guarda-roupa. Era útil, mas depois de um tempo tornou-se cansativo. Já tive vários, um quebrou, outro estragou, outro perdi e o último dei de presente para meu irmão.
E eu nunca vou esquecer de que no ápice da era mp3 eu saí de minha cidade com um rádio AM/FM com CD na mão e fui até a cidade vizinha. Os olhares estranhos... Fiquei imaginando o que estariam pensando... Me senti bem, eu não era como eles.
Hoje? Hoje sou adepta dos CDs assustadores, do rádio AM/FM com CD. Viciada em gravá-los e escutá-los de noite, na cama, deitada.
Mas, confesso, sinto falta do mp3, ele era um bom companheiro para caminhadas na praia.

sábado, 18 de julho de 2009

A felicidade se encontra em uma caixa de amanditas
Ou em uma porção de amanitas?
Nos dois, talvez?
Separados, é claro!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quantas vezes vi, calada, você ir embora?

Dois anos vendo você... Ir!
E toda vez, pensando que nunca mais o veria...
M
e conformava com a falta do seu olhar, sua voz e seu toque...
Então você voltava! Dizia tudo o que eu (não) queria ouvir e, de novo, ia.
Eu não sabia o porquê, não sabia para onde e nem para quem. Sequer me atrevia a perguntar. Você simplesmente ia. Reaparecia após alguns meses. E ia novamente!
Você voltou. E agora vejo você ir embora mais uma vez e nada faço. Tive a oportunidade de me despedir, mas não a coragem. Tive medo.
Tanto de um sim, quanto de um não.
Mas, ah, você sempre voltou.
E eu estarei aqui.
Esperando você voltar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Enfim criei coragem...

Queimei todas as cartas de despedida que escrevi em meus momentos de crise!

sábado, 13 de junho de 2009

Hoje eu só desejava esquecer de mim (E talvez te encontrar).

A escuridão já havia dado lugar à lua quando pus os pés na rua. E com a companhia de cigarros e alguma bebida que já não lembro o nome andei sem rumo. Mas minha caminhada era uma procura, dez minutos se passaram e então enganei a mim mesma. Avistei ele e seus amigos de longe, apressei o passo, abaixei a cabeça e torci para que não tivessem me visto. Segui andando, cheguei ao final da rua, eu não sabia o que estava fazendo, olhei para o reflexo da lua no mar então me convenci de que estava errada.
Fugi por impulso, não por vontade.
Voltei, fingi que estava passando por ali sem querer, cumprimentei a ele, seus amigos e a garrafa de Velho Barreiro que lhes fazia companhia. Me abracei a ela. E ali fiquei como quem não quer nada.
Eles conversavam sobre música, eu dava opiniões rápidas, só para lembrá-los de minha presença.
Há quase um ano eu não o via, eramos (quase) estranhos um ao outro, mas nossos olhos, a todo momento a se encontrar, não deixavam brechas para enganos, ali havia...
Outras pessoas chegaram nos cumprimentar, mas minha atenção era só dele. Ele economizava palavras, mas sua voz me fazia arrepiar, nossos olhos, mesmo que teimando o desvio, se queimavam ao se encontrar. Seus amigos eram meros espectadores, até...
- Ei, senta aqui do meu lado, preciso falar com você! - Disse-me um de seus amigos, enquanto ele havia nos deixado para ir até um muro próximo para, bem... Sentei ao seu lado.
- Eu sei que você gosta dele...
- Mas eu não gosto! - Interrompi-o.
- Não minta. Você gosta dele, assim como ele gosta de você. Não entendo o porquê dessa cena toda!
- Mas a gente... Calei-me com a volta dele. Tampouco serviria de algo contestar seu amigo. Tal opinião não era algo tão particular.
Ainda nego, não gosto. Talvez eu... Eu o ame.
- Veja só, a pinga acabou, nós vamos comprar mais, - seu amigo apontou pra mim, - você e ele esperam aqui!
Então, rapidamente, nos deixaram sozinhos. Sequer tive tempo para contestar.
A música, no celular de alguém ainda rolava. Ele virou pra mim, teceu algum comentário qualquer e disse:
- Quero te pedir um coisa.
Fiquei calada, desviei o olhar. Mas sei que meu rosto gritava “QUALQUER COISA, DISPONHA, USE-ME...”.
Ele se levantou, chegou perto e sussurrou em meu ouvido:
- Um beijo...
Os primeiros acordes de A Hora do Trem Passar surgiram no momento em que nossos narizes se tocaram. Senti sua respiração em minha bochecha. Nossos lábios se entrelaçaram, então a voz do Raul Seixas tomou conta de nossos ouvidos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"O amor mais forte é aquele que não é correspondido. Eu preferiria nunca saber disso, mas essa é a verdade: não há nada pior do que amar alguém que não nos ama – mas ao mesmo tempo é a coisa mais bela que já me aconteceu. Amar alguém que nos ama também, é narcisismo. Amar alguém que não nos ama, isso sim é amor."

Aaah, o amor!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Eu me odeio por te enxergar em todos os lugares. Me odeio por achar completamente atraente garotos de cabelos enrolados e (com cara de) drogados. Eu me odeio por ter deixado as coisas confusas entre a gente e mais ainda por não mais conseguir olhar diretamente em seus olhos. Eu me odeio por ter um poster da SUA banda favorita na cabeceira de MINHA cama. Me odeio por fingir que nós tínhamos uma relação normal e me odeio mais ainda por não ter conseguido (man)ter uma relação normal contigo. Eu me odeio por não ter dito o que sentia por você e mais ainda por estar bêbada aquele dia. Eu me odeio por ter te obrigado a dizer aquilo e mais ainda por ter me calado depois. Eu me odeio por ter ido atrás de você e mais ainda, muito mais, por não ter conseguido gritar teu nome.

domingo, 17 de maio de 2009

Seu coração batia tão forte que mesmo se eu não estivesse acostada em seu peito eu sentiria a batida dele, eu escutaria, eu... Silêncio, três palavras, seus olhos nos meus, a rua, desvio o olhar, sua mão em meu rosto, você repete, eu vermelha, calada, assustada, não, por que isso? Sim, eu também, não, eu não, eu nunca, não posso, eu não consigo. Eu gosto, não amo, eu... Não? Eu menti, eu sim, várias vezes. Por medo, coragem, eu... Não sei, não faz sentido. Eu, você... Você me ama? Estou atrasada, desdenho, seus olhos nos meus, minha consciência, Deus, como pesa! E você, você sabe o porquê, sei que sabe.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Olha,

o amor já tá vazando pros outros e você vai mesmo me deixar aqui sozinha dançando a música?"

segunda-feira, 11 de maio de 2009

E lá vou eu, seguindo a vida, dando umas paradas cá e lá.
As vezes entrando numas vias erradas.
Correndo na escuridão com lanterna desligada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

I am trying to break your heart.

Estou desesperadamente tentando fazer com que você me odeie
Sei que estaria mentindo dizendo que não é fácil
Eu poderia fazê-lo avesso a mim com uma única frase
Citando alguns nomes, ou apenas um
Sim, um seria o suficiente
Mas estou sendo cuidadosa
Não quero machucar a ti
E, confessando meu egoísmo, não quero me machucar

domingo, 3 de maio de 2009

O J ão que me desculpe, mas o recado que ele me pedira para lhe dar foi perdido em meio à explosão de pensamentos e sentimentos que se propagaram pelo meu corpo ao ver a sua imagem, você, ali, surgindo, esvanecendo.
E eu, gélida, tremendo, sequer consegui olhar em seus olhos, olhos esses sempre tão vermelhos. Olhos que me atraem, mas que ao mesmo tempo me repelem.
Olhei para o lado contrário de ti, sim, para meus pés, para as plantas do quintal ao meu lado, para o mar no fim da rua...
Ou, não, olhei para dentro de mim, em busca dos cacos que aqui ficaram espalhados, em busca de sanidade, de equilíbrio mental...

Tropecei. Envergonhada, ri. Você já havia passado. Tentei disfarçar o nervosismo. Comentei sobre o pássaro morto no meio da rua. Olhei de soslaio para trás e fiquei me perguntando se você também faria isso.

"Como somos ávidos de um olhar!
(...)
Meu caro, flutuo nesta incerteza e a consolação única é dizer a mim mesmo: "Talvez ela tenha se voltado para me olhar!" Talvez!...
Boa noite! Ah, como eu sou criança." (Goethe)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

E se...

Acho melhor acabar com isso logo,
mas eu não consigo.

Eu tenho medo!
E se eu colocar um ponto final em tudo isso e vir a me arrepender?

Eu sequer gosto de pontos finais...

Ah, as vírgulas!
As belas reticências!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sobre Eles. (Rita Apoena)

Ela afundou o corpo nele o mais que pode, como se assim pudesse aprisionar um instante, ou como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não entrega, e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar.
Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote.

terça-feira, 31 de março de 2009

Está tudo tão bem,

mas, ah, estar tudo bem é um saco!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Sexta-Feira,

A aula acabou e o tumulto começou; pessoas indo e vindo nos corredores da faculdade e as conversas alheias se confundindo. Eu, sozinha, ia andando e tentando desviar da movimentação, inútil, a cada dois passos meus ombros se encontravam com outros. Eu queria sair dali, pensei em correr, mas hesitei. Continuei andando calmamente, cumprimentando os conhecidos que cruzavam meu caminho, mas quando avistei a porta, não pude me controlar, apressei o passo e aí sim, um festival de ombradas! Mas eu não me importava; Eu só queria sair dali! E saí!
Segui andando pelos jardins da faculdade sem destino, eu queria a solidão e lá estava ela; espalhada pela imensidão daquele campus. E de meu coração.
Mas, em meu caminho para o nada: a biblioteca. Entrei. Fiquei andando pelos corredores, aproveitando aquele cheiro bom do saber, por minutos ou, talvez, horas. Cheguei à parte de literatura estrangeira e lembrei-me de um livro que há tempos eu queria ler. Comecei a procurar. Li centenas de títulos e mais centenas de nomes de autores. E nada!
Soslaio.
Percebi que o cadarço de meu tênis estava desamarrado então me abaixei para amarrá-lo... Ao me abaixar; Achei! Lá estava o livro, com suas 705 páginas, na última prateleira da última estante do último corredor! Então, com o livro em mãos, me dirigi ao gramado mais próximo... E por lá fiquei!
Eu, o silêncio, Jorge Luis Borges e suas Obras Completas I.

terça-feira, 24 de março de 2009

ânsia!

olá, vodka, saudades, raiva, confusão, tequila, tequila, tequila, lembranças, vodka, limão, sal, açúcar, saudades, gelo, gelo, vira, cerveja, nojo, vômito, água, noite, lua, vodka, vodka, vodka, chão, sujeira, saliva, cuspe, vodka, refrigerante, suco, vodka, corre, rum, conhaque, lágrimas, lágrimas... vodka, groselha, abraço, desespero, consolo, álcool, corre...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Engolir a Lembrança. (Cérebro Eletrônico)

Eu vou te esquecer
Perder a memória
E deixar de pensar
Eu vou perder a mente
Congelar o sonho que tive contigo
Por os pés no chão na estrada de terra
Levantar a poeira dar a volta por cima
e te esquecer.

domingo, 15 de março de 2009

"Olha quem está ali!"
"Quem?"
"Olha!"

Vi, respirei, tremi, estremeci, arrepiei e me calei.
Tremi, tremia.
Inquieta, os pés balancei.
As mão, as pernas...
Eu não entendia.

"É amor?"
"Oi?"
"Tudo isso... É amor?"

Capaz!
Me nego a acreditar que seja.
Não é, nunca foi e nem será.
São apenas lembranças...

Poucas, mas significativas;

Foi ele quem me apresentou o mundo de lá.
Foi o único que me levou ao limite (por vezes seguidas...)
Sempre, sendo lá ou cá.

E, culpa dele,
Aqueles dias se tranformaram num amontoado de memórias
Regadas de agonia.

"Se quer, vai lá, não se segure!"
"Eu não posso! Eu não vou!"
"Tomara que não se arrependa!"

Querer nem sempre é poder, huh?
Mas eu não queria.
Quiçá, quem sabe. Não sei!
Eu nunca sei. Ou, talvez... Estranho!

Chega!
Não importa mais!

O passado passou
E eu estou rezando para que ele não tenha parado ali na esquina (novamente).

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Re-Nascimento.

Depois de alguns anos elas se encontram novamente. Um abraço forte e demorado faz com que as lembranças da infância passem na mente como um filme. Mas depois do abraço; travam. O silêncio toma conta do ambiente, sequer o som da respiração é perceptível. Elas sentam e o barulho das cadeiras se movendo soa como um grito estridente. Abrem a boca, mas fecham logo em seguida, a voz não sai. As palavras estão entaladas na garganta. Elas se olham, sorriem e finalmente o som das vozes quebra o silêncio. Ambas envergonhadas comentam sobre o tempo que passou. Brincam com a idade atual. Se culpam pelo tempo que passaram afastadas. Lembram do fracasso em comum, de alguns dias atrás. Um olhar triste e perdido toma conta de ambas fazendo com que o silêncio volte. Mas em pouco tempo estão se consolando. Vão a procura de palavras reconfortantes. E chegam a conclusão de que ali não é o melhor lugar para o animo. Se levantam e começam a caminhar sem rumo. Vão tentando se encontrar. Conversam, o diálogo mais parece um interrogatório, um interrogatório de perguntas com respostas, assim, curtas. Resolvem então apelar ao passado; vão até onde, há anos atrás, brincavam. Se lembram daquela vez que as calaram com um balde de água fria, se lembram das meninas do apartamento 42, lembram de quando diziam que eram as melhores, de quando prometeram que nunca se distanciariam, se lembram, lembram daquela vez que enterraram um sapo ali, "bem ali ó!". Se lembram das brincadeiras, dos amigos, das descobertas, das paixões inocentes, das risadas, das broncas, dos planos... E vão andando, recordando! Chegam à praia, sentam-se olhando para o mar e conversam. Agora livremente. Recordar o passado as fez intimas novamente. Observam o mar e reparam no horizonte uma pequena luz vermelha. "O que será isso?". Começam então a comentar sobre suas crenças; elas crêem em outros mundos, "seria egoísmo demais achar que estamos sozinhos!". A luz vermelha cresce aos poucos. Ela assusta de inicio; "nós aqui falando sobre coisas de outro mundo e surge essa luz!". Cresce mais; "a lua!". Sim, a lua, até a lua, foi contemplar o reencontro delas. A lua surge esplêndida, vermelha e gigantesca. E o reflexo no mar deixa ainda mais belo o espetáculo. "É lindo!". Elas enterram os pés na areia, caminham sobre a água e, num ato rápido, encostam a gigante bola vermelha, mas ela se distancia rapidamente; "está tão alta agora!". Ficam observando ela se distanciar mais e mais e então resolvem sair dali. O espetáculo assistido as deixou estagnadas, boquiabertas, mas com uma sensação interna boa. A lua veio as cumprimentar, a lua! Elas andam, cada uma deve seguir seu caminho, se despedem com um longo abraço e agradecem, uma a outra, pelos momentos propiciados, ali e lá vividos. Sorriem, se viram e, já de costas, prometem que se verão logo...

"Não vai dar certo, J!"













O pior é saber que não querem que dê certo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alucinação - Belchior

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais...

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais...

Um preto, um pobre
Uma estudante
Uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas
Pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite
Revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque
Com os seus jornais...

Carneiros, mesa, trabalho
Meu corpo que cai
Do oitavo andar
E a solidão das pessoas
Dessas capitais
A violência da noite
O movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre
Que canta e requebra
É demais!

Cravos, espinhas no rosto
Rock, Hot Dog
"Play it cool, Baby"
Doze Jovens Coloridos
Dois Policiais
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida...

Mas eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Longe o profeta do terror
Que a laranja mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais
Amar e mudar as coisas
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cada palavra é uma idéia.

"...se antes de cada acto nosso nós pudéssemos prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos (...) os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, (...) por todos os dias do futuro" (Saramago)

E hoje eu tenho uma visão completamente diferente de ontem sobre isso tudo.