sábado, 13 de junho de 2009

Hoje eu só desejava esquecer de mim (E talvez te encontrar).

A escuridão já havia dado lugar à lua quando pus os pés na rua. E com a companhia de cigarros e alguma bebida que já não lembro o nome andei sem rumo. Mas minha caminhada era uma procura, dez minutos se passaram e então enganei a mim mesma. Avistei ele e seus amigos de longe, apressei o passo, abaixei a cabeça e torci para que não tivessem me visto. Segui andando, cheguei ao final da rua, eu não sabia o que estava fazendo, olhei para o reflexo da lua no mar então me convenci de que estava errada.
Fugi por impulso, não por vontade.
Voltei, fingi que estava passando por ali sem querer, cumprimentei a ele, seus amigos e a garrafa de Velho Barreiro que lhes fazia companhia. Me abracei a ela. E ali fiquei como quem não quer nada.
Eles conversavam sobre música, eu dava opiniões rápidas, só para lembrá-los de minha presença.
Há quase um ano eu não o via, eramos (quase) estranhos um ao outro, mas nossos olhos, a todo momento a se encontrar, não deixavam brechas para enganos, ali havia...
Outras pessoas chegaram nos cumprimentar, mas minha atenção era só dele. Ele economizava palavras, mas sua voz me fazia arrepiar, nossos olhos, mesmo que teimando o desvio, se queimavam ao se encontrar. Seus amigos eram meros espectadores, até...
- Ei, senta aqui do meu lado, preciso falar com você! - Disse-me um de seus amigos, enquanto ele havia nos deixado para ir até um muro próximo para, bem... Sentei ao seu lado.
- Eu sei que você gosta dele...
- Mas eu não gosto! - Interrompi-o.
- Não minta. Você gosta dele, assim como ele gosta de você. Não entendo o porquê dessa cena toda!
- Mas a gente... Calei-me com a volta dele. Tampouco serviria de algo contestar seu amigo. Tal opinião não era algo tão particular.
Ainda nego, não gosto. Talvez eu... Eu o ame.
- Veja só, a pinga acabou, nós vamos comprar mais, - seu amigo apontou pra mim, - você e ele esperam aqui!
Então, rapidamente, nos deixaram sozinhos. Sequer tive tempo para contestar.
A música, no celular de alguém ainda rolava. Ele virou pra mim, teceu algum comentário qualquer e disse:
- Quero te pedir um coisa.
Fiquei calada, desviei o olhar. Mas sei que meu rosto gritava “QUALQUER COISA, DISPONHA, USE-ME...”.
Ele se levantou, chegou perto e sussurrou em meu ouvido:
- Um beijo...
Os primeiros acordes de A Hora do Trem Passar surgiram no momento em que nossos narizes se tocaram. Senti sua respiração em minha bochecha. Nossos lábios se entrelaçaram, então a voz do Raul Seixas tomou conta de nossos ouvidos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"O amor mais forte é aquele que não é correspondido. Eu preferiria nunca saber disso, mas essa é a verdade: não há nada pior do que amar alguém que não nos ama – mas ao mesmo tempo é a coisa mais bela que já me aconteceu. Amar alguém que nos ama também, é narcisismo. Amar alguém que não nos ama, isso sim é amor."

Aaah, o amor!