terça-feira, 25 de março de 2008

Ainda está lá.

É tipo um barco perdido em alto mar. Ele está lá, sozinho, sem nada e nem ninguém ao seu redor, a não ser pela visita de golfinhos e peixes que momentaneamente lhe fazem companhia. Ele continua lá, solitário. Criando mofo e musgo, as vezes a chuva vem para lavar, o sol para não o deixar apodrecer e alguns pássaros para deixar marcas, como se quisessem dizer algo, como se quisessem avisar que ele esteve por lá, em algum lugar. Ele continua lá. Mas sabe que não está sozinho, a qualquer momento ele pode esbarrar com algum outro barco, ou uma ilha. Quem sabe no barco ou na ilha até haja vida? Quem sabe alguém veja o barco solitário e queira cuidar dele. Queira tomar posse dele. Afinal de contas, o barco está lá inteiro, com um pouco de sujeira, com as marcas que o tempo solitário deixou, mas inteiro. E ele continua lá. Pode continuar para sempre, mas o sempre dele não pode e não irá durar eternamente, um dia seu fim vai chegar. Tudo tem um fim, e o dele pode estar próximo.