Em uma pequena cidade, fria e vazia, havia uma garota. Sua pele macia e seus cabelos sedosos só não encantavam mais que seu olho, seu olhar. Solitária, seus melhores amigos sempre foram o cinzeiro, a xícara de café e algum bom, e velho, livro. Mas um dia, começou a frequentar o bar próximo de sua casa, ia sozinha, bebia alguma coisa, dispensava a todos que vinham até ela e ia embora sozinha, mais uma vez. Numa madrugada, mais fria que de costume, alguém, finalmente lhe chamou a atenção, um moço entrava no bar com um sorriso maroto nos lábios, talvez estivesse rindo por estar encharcado, estava chovendo lá fora, chegou ao balcão e sentou-se ao lado dela. Pediu algo para os dois beberem, ela sorriu um pouco assustada e ficou brincando com o copo. Nunca imaginaria que ele, um completo desconhecido, a faria sentir-se assim, estranha e diferentemente bem. Mesmo com os 9 graus lá fora, ela sentia-se aquecida, um calor interior, um calor que vinha de seus pulmões, de sua garganta, de seu coração. Conversaram e se encantaram um pelo outro, pelos seus mundos diferentes e pelos seus defeitos. Em uma semana estavam se amando, nos muros dos vizinhos, num quarto de hotel, na cozinha da casa dela. Transformaram cenas de filmes em cenas reais. Viveram intensamente cada minuto compartilhado. Nada mais importava à eles, até o dia que ele teve de dizer adeus. Lá não era o lugar dele, por mais que ele gostaria que fosse.
Ele prometeu buscá-la, para continuarem, o filme, a vida, juntos. Prometeu manter contato, perguntou a ela se acreditava em para sempre e se foi.
Desde então ela passa o dia ao lado da caixa de correio a espera de uma carta, talvez dele, d'uma noticia. Se passaram dias, semanas, meses, anos e ela continua indo lá.
Ele, do outro lado, pensa nela e abre a gaveta onde guarda cartas que escrevera a ela, as cartas que ela tanto esperou e ainda espera...