A primeira vez que te vi
Ah, eu nem te vi
Alguém me dizia sobre você
Eu apenas concordei sem nem virar o rosto
Uma hora depois, no escuro, sob a luz das estrelas
Trocamos palavras e risos
Beijos, abraços e consolos.
A segunda vez que te vi
Pensei que não lembraria de mim
Corri
E me escondi.
A terceira vez que te vi
Nem lhe reconheci
Sob o efeito do álcool
E sem muito interesse
Perguntei se lembrara meu nome
Você, envergonhado, me disse que sim
Você, envergonhado, me disse que sim
Seu amigo lhe chamou
Eu, então, saí dali.
A quarta vez que te vi
Oh céus, que vergonha
Por que disseras aquilo para mim?
Por que disseras o que sentia por mim?
Um oi de longe e envergonhado
Apenas isso.
A quinta vez que te vi
Oh céus, que nojo
Não de ti, não de mim, nem dela
Nojo do quão as pessoas podem ser dissimuladas
Repulsa,
E só.
A sexta vez que te vi
Você estava de passagem
Você estava de passagem
Aparentemente nervoso
Então sumiu
E eu...
A sétima vez que te vi
Seu olho estava colorido
Avermelhado como sempre
Você dizia que não,
Mas a quem estava tentando enganar?
Sua mão e a minha mão
Entrelaçadas
Isso era o suficiente para mim.
A oitava vez que te vi
Foi a primeira vez que procurava por ti
E eu que não fumo, pedi um cigarro.
Queria ter coragem para pedir mais,
Pois eu queria mais, eu desejava mais
Sou uma covarde, confesso
Você, um medroso, confesse.
A última vez que te vi
Desdenhei
Ou pelo menos tentei
De minuto em minuto olhava para ti
E você estava olhando para mim
Eu sorria sem graça
E seu rosto permanecia intacto
Esta, sua última lembrança em mim.
Às vezes eu sofro, querido.
Ou não estou forte o bastante para levantar
Mas os dias, eles simplesmente me afogam.
Voltando para o trabalho
Tomando café azedo
Enjoada desde o seu peito.
A próxima vez que te ver
Quando será?
Como será?
Onde será?
Será?