sexta-feira, 27 de março de 2009

Sexta-Feira,

A aula acabou e o tumulto começou; pessoas indo e vindo nos corredores da faculdade e as conversas alheias se confundindo. Eu, sozinha, ia andando e tentando desviar da movimentação, inútil, a cada dois passos meus ombros se encontravam com outros. Eu queria sair dali, pensei em correr, mas hesitei. Continuei andando calmamente, cumprimentando os conhecidos que cruzavam meu caminho, mas quando avistei a porta, não pude me controlar, apressei o passo e aí sim, um festival de ombradas! Mas eu não me importava; Eu só queria sair dali! E saí!
Segui andando pelos jardins da faculdade sem destino, eu queria a solidão e lá estava ela; espalhada pela imensidão daquele campus. E de meu coração.
Mas, em meu caminho para o nada: a biblioteca. Entrei. Fiquei andando pelos corredores, aproveitando aquele cheiro bom do saber, por minutos ou, talvez, horas. Cheguei à parte de literatura estrangeira e lembrei-me de um livro que há tempos eu queria ler. Comecei a procurar. Li centenas de títulos e mais centenas de nomes de autores. E nada!
Soslaio.
Percebi que o cadarço de meu tênis estava desamarrado então me abaixei para amarrá-lo... Ao me abaixar; Achei! Lá estava o livro, com suas 705 páginas, na última prateleira da última estante do último corredor! Então, com o livro em mãos, me dirigi ao gramado mais próximo... E por lá fiquei!
Eu, o silêncio, Jorge Luis Borges e suas Obras Completas I.