domingo, 3 de maio de 2009

O J ão que me desculpe, mas o recado que ele me pedira para lhe dar foi perdido em meio à explosão de pensamentos e sentimentos que se propagaram pelo meu corpo ao ver a sua imagem, você, ali, surgindo, esvanecendo.
E eu, gélida, tremendo, sequer consegui olhar em seus olhos, olhos esses sempre tão vermelhos. Olhos que me atraem, mas que ao mesmo tempo me repelem.
Olhei para o lado contrário de ti, sim, para meus pés, para as plantas do quintal ao meu lado, para o mar no fim da rua...
Ou, não, olhei para dentro de mim, em busca dos cacos que aqui ficaram espalhados, em busca de sanidade, de equilíbrio mental...

Tropecei. Envergonhada, ri. Você já havia passado. Tentei disfarçar o nervosismo. Comentei sobre o pássaro morto no meio da rua. Olhei de soslaio para trás e fiquei me perguntando se você também faria isso.

"Como somos ávidos de um olhar!
(...)
Meu caro, flutuo nesta incerteza e a consolação única é dizer a mim mesmo: "Talvez ela tenha se voltado para me olhar!" Talvez!...
Boa noite! Ah, como eu sou criança." (Goethe)