Vinte horas o céu começou a escurecer. Atravessei a rua correndo e quase caí da escada que me separava da areia. Tirei o chinelo, enterrei os pés na areia e segui até o mar para lavá-los.
Há quanto tempo eu não fazia isso?
Passei por seres sem rosto, conversei com conchas. E comigo mesma, como de costume. Olhei para meus pés e lá estava meu reflexo. Calei-me. Ergui o rosto e sozinha segui andando. O quase silêncio absoluto me atrai. O som do mar em sintonia com o papel queimando se transformaram em uma linda e suave melodia. Comecei a cantarolar Jamming do Bob Marley e ele veio me fazer companhia.
Escureceu por completo. As luzes da beira-mar refletindo no mar. O movimento das ondas junto com o meu se transformavam em algo único.
Eu tive a vontade de banhar-me naquele breu, mas a consciência retornou para me impedir. Por mim que não voltasse nunca, estava me sentindo maravilhosamente bem sem ela.
Arrastei os pés até a escada mais próxima. Me despedi e fui em direção da realidade.