Estudo em uma Universidade com quase 10 mil alunos. Estamos no segundo horário de aula da noite. É semana de provas. São em torno de 5 mil pessoas correndo pra lá e pra cá a fim de encontrar alguém que possa lhe ensinar a matéria em uma pseudo palestra de 5 minutos.
Ouço passos, portas abrindo e fechando, algumas batendo. Ouço o ruído de suas conversas. Ouço carteiras e cadeiras se arrastando. Mas eu não os vejo e eles não me vêem.
Estou sozinha na sala que eu creio ser a única vazia neste corredor. Algumas pessoas passam pela porta sem dar muita atenção.
Vou até o fundo da sala, pego o estilete da minha bolsa, passo sua lâmina suavemente em meu dedo indicador fazendo com que o sangue escorra lentamente e sem pensar duas vezes volto a lâmina para o meu pulso e a pressiono com o máximo de força que consigo fazendo-a deslizar.
Cuspo o cachecol que estava entre meus dentes cerrados evitando que eu emitisse algum ruído.
Eu não sinto dor. Minhas lágrimas secaram. E o sangue escorre como uma cachoeira.
Uma poça vermelha se forma no chão e me assusto ao ver o rosto ali refletido. Ele está calmo como nunca antes esteve. Eu me sinto mais leve. Ainda ouço os passos, as portas e as conversas, mas tudo parece estar mais longe. O breu toma conta da sala e eu... eu aqui, imaginando como seria.