Depois de alguns anos elas se encontram novamente. Um abraço forte e demorado faz com que as lembranças da infância passem na mente como um filme. Mas depois do abraço; travam. O silêncio toma conta do ambiente, sequer o som da respiração é perceptível. Elas sentam e o barulho das cadeiras se movendo soa como um grito estridente. Abrem a boca, mas fecham logo em seguida, a voz não sai. As palavras estão entaladas na garganta. Elas se olham, sorriem e finalmente o som das vozes quebra o silêncio. Ambas envergonhadas comentam sobre o tempo que passou. Brincam com a idade atual. Se culpam pelo tempo que passaram afastadas. Lembram do fracasso em comum, de alguns dias atrás. Um olhar triste e perdido toma conta de ambas fazendo com que o silêncio volte. Mas em pouco tempo estão se consolando. Vão a procura de palavras reconfortantes. E chegam a conclusão de que ali não é o melhor lugar para o animo. Se levantam e começam a caminhar sem rumo. Vão tentando se encontrar. Conversam, o diálogo mais parece um interrogatório, um interrogatório de perguntas com respostas, assim, curtas. Resolvem então apelar ao passado; vão até onde, há anos atrás, brincavam. Se lembram daquela vez que as calaram com um balde de água fria, se lembram das meninas do apartamento 42, lembram de quando diziam que eram as melhores, de quando prometeram que nunca se distanciariam, se lembram, lembram daquela vez que enterraram um sapo ali, "bem ali ó!". Se lembram das brincadeiras, dos amigos, das descobertas, das paixões inocentes, das risadas, das broncas, dos planos... E vão andando, recordando! Chegam à praia, sentam-se olhando para o mar e conversam. Agora livremente. Recordar o passado as fez intimas novamente. Observam o mar e reparam no horizonte uma pequena luz vermelha. "O que será isso?". Começam então a comentar sobre suas crenças; elas crêem em outros mundos, "seria egoísmo demais achar que estamos sozinhos!". A luz vermelha cresce aos poucos. Ela assusta de inicio; "nós aqui falando sobre coisas de outro mundo e surge essa luz!". Cresce mais; "a lua!". Sim, a lua, até a lua, foi contemplar o reencontro delas. A lua surge esplêndida, vermelha e gigantesca. E o reflexo no mar deixa ainda mais belo o espetáculo. "É lindo!". Elas enterram os pés na areia, caminham sobre a água e, num ato rápido, encostam a gigante bola vermelha, mas ela se distancia rapidamente; "está tão alta agora!". Ficam observando ela se distanciar mais e mais e então resolvem sair dali. O espetáculo assistido as deixou estagnadas, boquiabertas, mas com uma sensação interna boa. A lua veio as cumprimentar, a lua! Elas andam, cada uma deve seguir seu caminho, se despedem com um longo abraço e agradecem, uma a outra, pelos momentos propiciados, ali e lá vividos. Sorriem, se viram e, já de costas, prometem que se verão logo...