quinta-feira, 1 de abril de 2010

Para um desconhecido.

Você era uma mistura de você com você mesmo e isso me fascinou. A luz do sol vinda daquela porta ansiava me cegar, então você veio como sombra numa silhueta perfeita para me salvar. Não agradeci, sei. Fiquei ali, paralisada, apenas observando seus movimentos. Dois segundos pareceram horas. Lhes dei as costas e tentei fugir. Do que, ainda me pergunto. Não consegui. Havia uma escada em meu caminho. Me senti impossibilitada de descê-la. Tive medo, talvez, de te perder. Sentei no primeiro degrau e com a cabeça recostada em meus joelhos permaneci. O barulho de seus passos sincronizavam com as batidas de meu coração. Ambos a me ensurdecer. O silêncio veio e eu levantei meus olhos cheios de lágrimas com medo de não lhe ver. Você estava sentado alguns degraus abaixo do meu. Olhou para trás, para mim. Me chamou. Fiquei muda. Eu não conseguia descer. Você, então, de uma maneira divertida me encorajou. Fez da escada um escorregador. E eu fui. Cheguei ao seu lado com as bochechas vermelhas. Abri a boca inúmeras vezes, mas minha voz não saía.
Que bom! Se até meu pensamentos estavam enrolados, imagine como seriam minhas palavras!
Você, sem olhar para mim, começou a falar sobre um cumprimento que havia acontecido em minha imaginação. Permaneci calada, apenas a usufruir de sua voz sedosa, que chegava doce em meus ouvidos. Falou, falou, falou e falou... Então eu falei. Nos calamos com um beijo. E que beijo! Eu pude senti-lo, ainda sinto. Seu gosto macio e seu toque adocicado.
Eu não reclamaria se o tempo parasse ali. Agradeceria!
Mas. Quando distanciamos nossas respirações, quando nossos olhos se encontraram... Uma música, uma música que eu não queria ouvir, que não se enquadrava naquele momento, no nosso momento. Olhei para você com um olhar medroso. Desesperado. Tudo ficou embaçado. Sua imagem a ficar mais longe. Eis então a completa escuridão.

Abri os olhos.

Sonhei com você. Parecia real. Queria que fosse real. Fosses real.
Fui acordada no ápice, pelo meu celular tocando. Deixei tocar, xinguei quem me ligava em pensamento.

Confesso, quase chorei. Já. De saudade.

Olhei para o Joey Ramone me observando da parede e exclamei para ele, meu cúmplice: Que sonho!

Quanto a você...
Não foi e não és, mas quem sabe serás?

Continuo sonhando, agora, acordada.